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  • Henrique Correia

Albuquerque não decide por "surtos afetivos" mas por "surtos impulsivos"


Líder do PSD-M remete para 2023 a decisão sobre a coligação depois de ter dito, na noite eleitoral que "não faz nenhum sentido que, nas próximas Eleições, o PSD e o CDS na Região não se apresentem coligados”.






Miguel Albuquerque não é Alberto João Jardim no carisma e na dimensão global do conhecimento e dialética política, é diferente, não há mal nenhum nisso, antes pelo contrário. Não é mau líder, é mais democrata, às vezes aparentemente, e tem uma inteligência superior a Jardim na forma de contornar, pela "legalidade", o que Jardim mandava fazer e dizia porque sim. E os secretários que se desenrascassem. Albuquerque faz isso melhor, também com um bom apoio chamado Pedro Calado o seu mais do que certo sucessor e a trabalhar para isso. Faz-se tudo na mesma só que mais democraticamente, o que demonstra estratégia bem definida neste domínio. Até a oposição fica mais calma e os mais radicais amansam.

Posto isto, vamos ao que interessa mesmo, a entrevista de Miguel Albuquerque ao JM depois de já ter dado uma outra de âmbito nacional há dias. Mas esta entrevista de hoje, sem que se faça alusão exaustiva, porque aí remete-se a leitura para quem quiser ler ao pormenor. A relevância, aqui, pelo menos para esta abordagem, é o tema coligação com o CDS para 2023, as próximas eleições regionais, que naturalmente está em cima da mesa e que começa a criar algum nervosismo no próprio CDS, sendo que alguns dirugentes já lembraram a importância de haver estabilidade e para isso ser preciso o CDS. O problema é que isso pode já não ser real, para isso era importante saber o que valem PSD e CDS em separado.

Miguel Albuquerque diz, nesta entrevista, que há tempo para decidir a coligação com o CDS para 2023. E na verdade há tempo, é para o próximo ano mas temos tempo. Diz também Albuquerque que não prepara as coisas por surtos afectivos. Acreditamos que não, nisso é parecido com Jardim, reage mais por surtos impulsivos. De tal modo que às vezes, não raras vezes, dá um passo em falso e dois para trás. Mas não venha outro mal ao mundo.

A realidade é que, relativamente ao CDS, como já aqui escrevemos, Miguel Albuquerque avançou e recuou. Nesta entrevista, confirma-se o recuo. E porque é que Albuquerque recuou sobre o que disse na noite vitoriosa das legislativas nacionais, empolgado pelos resultados que pensou terem sido melhor do que realmente foram, mas de qualquer modo vitória e somando muitas para o PSD? Recuou porque, desta vez, até ouviu o partido, onde diversas sensibilidades consideraram cedo esta garantia de coligação para 2023. Porque acham que o PSD até pode ganhar confortavelmente ou porque indo em coligação o CDS poderá não ser a mais valia que já foi. E Albuquerque travou a fundo. E até já fez declarações públicas posteriores no sentido de dizer que vai cumprir o acordo de coligação em vigor, mas em relação a 2023 logo se vê. E isso deixa o CDS nervoso, muito nervoso. Mas é este "surto" a que Albuquerque se refere, mais impulsivo do que afetivo. Se fosse o povo diria que "não é certo na Lua".

Na entrevista ao JM, o líder do PSD Madeira, ao mesmo tempo presidente do Governo, foi claro: devemos conversar com o CDS, mas chegando à altura, 2023, vê-se. Ou seja, diferente do que disse na noite eleitoral recente. E o que disse Albuquerque na noite eleitoral recente, com Rui Barreto, o líder do CDS-M, a ouvir? Disse o que transcrevemos de uma descrição, insuspeita, do site do PSD Madeira, fiel à declaração não manipulada. Vejamos:


“Esta coligação é para continuar e, no próximo Congresso, que irá ser realizado em março, vou propor exatamente isso na minha Moção”, vincou, a este propósito, o Líder dos Social-democratas, deixando claro que, mais uma vez, perante aqueles que têm sido os resultados obtidos, “não faz nenhum sentido que, nas próximas Eleições, o PSD e o CDS na Região não se apresentem coligados”.

É caso para dizer que depois do surto da pandemia, agora há surtos para tudo...


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