Albuquerque "rasga" a "bandeira" que usou para ser eleito
- Henrique Correia

- 18 de abr.
- 3 min de leitura
Limite de mandatos serviu para criticar Jardim e ser eleito pela imagem de diferente, agora alguns militantes dizem que está "ajardinado"; estrondosa ovação a Pedro Calado e Rubina Leal, presidente da Assembleia, na ponta da mesa.



O limite de mandatos é uma questão polémica na arte de fazer política e nem sempre colhe unanimidade, além de que as reações têm muito a ver com quem comenta e com os interesses subjacentes. E este sábado, no Congresso do PSD Madeira, feito a "correr" para despachar as "coisas", essa questão esteve em debate e rápida votação para que os estatutos acabassem com este limite de 12 anos para a mesma liderança, agora ilimitada no sentido se permitir a continuidade do atual lider, caso assim entenda, depois deste mandato.
Os congressistas votaram por essa alteração, mas muitos, sobretudo aqueles em que a memória ainda não atraiçoou, lembraram-se repentinamente, que foi Miguel Albuquerque que, num ato de "mudança de ventos" no partido, prosseguiu com a "batalha" do limite de mandatos para o líder. Com isso, "matava" dois "coelhos": acusava Jardim de se perpetuar no Poder, e por outro lado, usava a "bandeira" de ser diferente para cativar os militantes, jogando assim uma importante "cartada" demonstrativa de não estar preso a lugares.
Pois bem, uns bons anos depois, Albuquerque "ajardinou" o seu pensamento e mudou o discurso alegando que tanto o PSD nacional como o PSD Açores não têm esses limites. Ou seja, o argumento é uniformizar, mas de caminho abre a porta ao próprio Albuquerque para fazer como Jardim, ou andar lá próximo, até porque alguns congressistas dizem que a liderança "seca" tudo à volta que nunca haverá concorrência capaz de alterar uma alternância.
Mas este Congresso do PSD-M teve algumas particularidades interessantes a registar, sendo uma delas a "pressa" de votar as moções sem que a maior parte dos congressistas nem tivessem conhecimento do seu conteúdo integral, garantem-nos que na altura de ir a votos os textos não estavam disponíveis nas plataformas partidárias. É verdade que longe estão os tempos dos congressos longos, pela madrugada e muitas vezes com oradores falando para sala vazia, mas algumas "fontes" dizem que este congresso do PSD-M está a uma velocidade maior do que o habitual e que essa indicação terá sido dada por Miguel Albuquerque, que fez um discurso referindo que começa o ciclo da unidade, normalmente confundida, nos meios partidários por unanimismo numa ótica corporativa que nem sempre se compagina com os interesses globais da Madeira.
Para alguns sectores do PSD-M, a entrada triunfante de Pedro Calado, agora na Comissão Política, foi uma surpresa. O ex-autarca, arguido num processo judicial por suspeitas de corrupção, recebeu a maior ovação do Congresso, se é que se pode medir a ovação com a recebida por Miguel Albuquerque. Foi estrondosa. E muitos apontam como essa "aclamação" e posterior apresentação da mesa, contrasta com o lugar dado a Rubina Leal, na extremidade da mesa, quando se trata de uma militante de peso, presidente da Assembleia e de "folha limpa".
Este domingo fecha o Congresso. E digam o que disserem, Miguel Albuquerque volta a sair por cima, independentemente das situações. É um "sobrevivente" que tem resistido e, ao mesmo tempo, deixa deserto o espaço das alternativas internas. É uma estratégia que lhe pode ser útil, mas deixa dúvidas quanto à utilidade para o PSD-M.



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