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  • Henrique Correia

Albuquerque tem Calado na "manga" para "atacar" o Funchal mesmo fragilizando o Governo

Não se sabe se o vice estaria na disponibilidade de "sacrificar" o futuro político por este desafio, mas esta candidatura apareceria como uma "cartada" muito forte


Não é segredo para quem quer que seja que o grande objetivo do PSD-Madeira, nas próximas eleições autárquicas, em 2021, é ganhar o Funchal. É ganhar mais câmaras, mas o Funchal está "atravessado" depois daquela derrota imposta por Cafôfo, que afastou a máquina "laranja" da gestão autárquica funchalense, antes dominada precisamente por Miguel Albuquerque, hoje presidente do Governo.

Albuquerque sabe quanto vale essa vitória. E sabe, também, que não é qualquer candidato que vai levar o PSD a essa conquista. E é de tal forma que os nomes já colocados em cima da mesa, casos de Manuel António e José Prada, não se assumem como suficientemente fortes, na perspetiva do líder, para tentar o "ataque" político à Câmara do Funchal com a máxima garantia. Total não há, mas se o candidato for forte, as possibilidades são maiores. Daí aparecer o nome de Pedro Calado, o atual vice presidente do Governo. Que trabalhou com Albuquerque na Câmara, onde era o homem das finanças, além de que possui um capital capaz de poder ser potenciado nessa importante eleição para o PSD-Madeira, que ao nível autárquico levou um "rombo" como nunca antes visto.

O problema é que uma candidatura dessas poderia ser interpretada como um passo atrás para Pedro Calado, uma vez que a vice presidência do Governo e o papel que tem vindo a desempenhar, cada vez mais forte, no equilíbrio da governação regional, sendo mesmo o pilar que dá consistência a este governo de coligação, seriam fatores suficientes para aspirar, em breve, a uma outra ascensão dentro do partido e, quem sabe, um futuro posicionamento para a liderança de um Governo PSD na Região.

Sabe-se que o nome de Calado está a ser equacionado, mas desconhece-se qual será o posicionamento do próprio vice-presidente face a esta possibilidade. Conhece a Câmara do Funchal, tem experiência de gestão autárquica, está bem visto no Governo Regional, é mesmo apontado como uma peça fundamental que garantiu o eleitorado do PSD e a consequente governação regional, mas não se sabe o que pensará Calado, nem tão pouco as consequências para a governação se efetivamente o PSD ganhasse as eleições no Funchal.

A perspetiva de Albuquerque é outra. Se ganhar a Câmara mais depressa resolve o Governo. Resolve um problema e o outro logo se vê, até porque com Calado no Governo há sempre uma "sombra" ali por perto. São outras "contas". Ou joga a CMF para ganhar e para isso deve apresentar um candidato de "caras", mesmo correndo o risco de perder consistência no Governo. Ou apresenta um candidato mais fraco e, com isso, corre riscos de voltar a perder a Câmara principal. Convenhamos que não é fácil.

Para já, houve discurso musculado no último Conselho Regional, onde tanto Miguel Albuquerque como o secretário-geral José Prada, avançaram com mensagem de unidade. O líder do partido foi mais longe, falou em unidade mas colocou rédea curta nas críticas com "músculo" nas palavras, dizem que foi mais ou menos "Albuquerque à Jardim", mas com menos estratégia. Prada foi mais "diplomata", disse quase o mesmo mas mais suave, não quer críticas muito menos neste momento de grande exigência para o partido. Estas palavras foram melhor compreendidas pelos conselheiros.




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