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  • Henrique Correia

As ribeiras parece que aguentaram; e as ruas aguentam?



Não sei se é mesmo uma fatalidade que nos vai acontecer sempre que chove muito, mas a sensação que dá, assim falando muito superficialmente, é que às mínimas chuvadas, a água corre que se farta por algumas ruas





Depois de momentos de tensão, em que acredito que todos os poderes, regional e local, estão empenhados em soluções para minimizar os efeitos de uma situação anormal, da natureza, com chuva intensa e durante muito tempo, trovoada como nunca, talvez possamos refletir, um dia destes, sobre as ruas da cidade do Funchal, a capacidade de escoamento das águas, bem como se valerá a pena fazer qualquer coisa para evitar artérias alagadas aos mínimos chuviscos e inundadas e intransitáveis com chuvas de maior dimensão, como aquelas que caíram este sábado. Com níveis absolutamente superiores ao normal, mas sendo possível acontecer, agora e num futuro. Não estará sempre a acontecer, mas pode. E é para esse nível que a prevenção deve estar apontada.

Depois das ribeiras, que o Governo afirmou terem revelado um "comportamento" muito bom a este nível de temporal, tirando alguns ribeiros, a verdade é que o problema, agora, foi mais das ruas, dos túneis, dos ribeiros, com a água a correr para onde calhasse e a população à espera do pior, que felizmente não aconteceu.

Mas agora, passado o pesadelo e sem vítimas a lamentar, o que desde logo é muito bom, seria importante que as entidades com responsabilidades, diretas ou indiretas, Governo, Câmara do Funchal, Proteção Civil, Regional e Municipal, corporações de Bombeiros, de forma particular porque conhecem a cidade como ninguém, e sabem as vulnerabilidades que encontram, pudessem de algum modo apurar o que é possível fazer, com os indicadores deste temporal, para evitar que várias ruas ficassem inundadas, de forma muito rápida, que a água entrasse em estabelecimentos comerciais da forma como entrou, e se haverá algo a fazer para que, no futuro, possamos encontrar uma plataforma de prevenção maior, tal como aconteceu com as ribeiras, mesmo com toda a polémica das respetivas intervenções técnicas e de da própria arquitetura. Mas como em tudo, salvaguardando a importância das obras enquadradas em princípios arquitectónicos e patrimoniais, as boas obras são as que resultam, as que atingem os objetivos.

Não sei se é possível fazer mais relativamente ao escoamento das ruas da cidade, não sei se é mesmo uma fatalidade que nos vai acontecer sempre que chove muito, mas a sensação que dá, assim falando muito superficialmente, é que às mínimas chuvadas, a água corre que se farta por algumas ruas.

Valerá a pena levantar a questão. E debater. Por si só, não reduz a chuva, não vai escoar mais, mas pode ser que seja um pequeno contributo para eventuais passos seguintes, para enfrentar futuras chuvas, mais fortes ou menos fortes. Sim, porque chover é uma das coisas que temos certas, mais dia menos dia. Nestas ruas...



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