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  • Henrique Correia

Barreto descarta o Chega nos "outros partidos" de Albuquerque para o Funchal


"O acordo político é entre PSD e CDS, partidos extremistas estão excluídos, mas deverá incluir independentes".



Se Albuquerque se referia ao Chega quando na entrevista de hoje, ao DN Lisboa, defendeu que a coligação com o CDS para o Funchal, com Pedro Calado candidato, poderia incluir outros partidos, pode tirar aquilo que o povo tem por hábito dizer "o cavalinho da chuva", que é como diz tirar essa ideia do pensamento ou de eventuais negociações em curso. É que Rui Barreto, desta vez ao DN Madeira, já deu um Chega para lá ao partido de André Ventura. Está dito, está descartado, para o CDS.

De facto, na entrevista, Albuquerque reafirmou que o PSD concorre ao Funchal, em coligação com o CDS, mas admitiu que "poderemos abrir a outros partidos, ainda não sabemos". Claramente, como disse, a outros partidos, o que na cabeça de Albuquerque poderá, hipoteticamente, estar o Chega, que aparece bem colocado nas sondagens e ainda não apresentou o seu candidato ao Funchal.

Além disso, o presidente do Governo e do PSD-Madeira nunca escondeu uma certa simpatia pelo Chega, deixou sempre, no mínimo, uma porta entreaberta, não vá o CDS subir o poder à cabeça por via da integração no Governo. Uma espécie de "rédea curta" a Barreto, através da "bandeira" de Ventura. Na entrevista, Albuquerque diz isto do Chega, a propósito de possível coligação nacional, é verdade, mas suficiente para dizer o que pensa:

"O Chega é um partido como vários que existem na Europa, e o PSD, para fazer uma aliança instrumental pós-eleitoral, tal como aconteceu nos Açores, não tem de comungar de certos princípios que o Chega defende"

Acontece que Rui Barreto, antes que o "mal" cresça, decidiu dizer, ao DIÁRIO, que "o acordo político é entre PSD e CDS, partidos extremistas estão excluídos, mas deverá incluir independentes".

E pronto, clarinho como água. Barreto está atento, às linhas, às entrelinhas e ao que vai sabendo sobre esta "negociação" para a Câmara do Funchal. E também de forma clara, Albuquerque fala em partidos e Barreto fala em independentes, coisas bem diferentes. Uma coisa é a entrada de outros partidos, além do PSD e CDS, outra bem distinta é a entrada de independentes na lista liderada por Calado, sabendo-se por exemplo que, nesta perspetiva de Barreto, o nome de Cristina Pedra poderia ser consensual, atendendo à presença habitual da anterior presidente da ACIF em iniciativas dos dois partidos.

A verdade é que fica no ar esta dúvida de entendimento entre Albuquerque e Barreto. Se o líder do PSD-M tinha pensado num "Chega para cá" e o líder do CDS-M tem a certeza de um "Chega para lá", então as negociações devem ser acertadas para um discurso mais articulado.







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