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  • Henrique Correia

Cargo "importante" do CDS na Assembleia ganha de "goleada" ao que fez o PSD-M



Miguel Sousa tem razão quando diz que o CDS tem cargos superiores à sua representatividade na coligação. Mas tirando as "tentações governativas", José Manuel Rodrigues deu visibilidade à AR.




É verdade que Miguel Sousa, antigo vice do Governo de Jardim e vice da Assembleia Regional, coloca a questão relacionada com o acordo PSD/CDS a partir de um ponto de vista pertinente, a favor da coligação mas não com a cedência de cargos importantes ao partido que claramente tem menor peso, o CDS, mas que, diga-se, tem peso suficiente para permitir ao PSD governar.

E claro que sim, é o PSD quem governa, é o PSD quem chama a si os louros exclusivos das vitórias em coligação. E claro que sim, o CDS não faz ruído porque tem o que quer, o que lhe serve e tem muito mais do que alguma vez pensou ter e ser num patamar governativo na Madeira.

Evidentemente que do ponto de vista do PSD-Madeira, duas secretarias e sobretudo uma presidência da Assembleia, é muito para justificar esta diferença de importância em termos de votos dos dois partidos. E se for por aí, tudo bem. E até com a particularidade do CDS chegar ao Governo depois de um dos seus piores resultados.

Mas isto tem tudo a ver com o contexto e com as oportunidades. Nada a fazer quanto a isto. Se o PSD-M precisa, é assim. E já que é assim, o CDS e sobretudo José Manuel Rodrigues, o presidente centrista madeirense, "esticaram a corda" e ficaram com o chamado "bife do lombo" da política.

Mas reconhecendo alguma razão a Miguel Sousa, que expressa a vontade de muitos militantes e dirigentes do PSD-M, é preciso também reavivar a memória do Dr. Miguel Sousa naquilo que se prende com o que foi a Assembleia nos tempos do PSD-M sozinho, inclive quando próprio Miguel Sousa foi vice presidente, conhece bem o papel secundário a que principal o órgão da Autonomia se resignou durante anos, com presidências conformadas, por vezes revelando uma inércia, cuja dimensão, por acaso, só agora nos damos conta na sua verdadeira plenitude, precisamente porque José Manuel Rodrigues veio dar visibilidade a um órgão que estava apagado. Nem que seja só por via comunicacional, onde o atual detentor do cargo é especialista, ganha vantagem.

Na realidade, independentemente de algumas situações que pecam pelo excessivo, que se admite também agora, a verdade é que o atual presidente da Assembleia, que se sabe ter resultado de uma insistência negocial com o PSD, acabou por ter uma estratégia muito diferente daquela que existia, é verdade que muito centrada na sua figura, podia ser um pouco menos que não perdia, mas com uma comunicação orientada, uma visibilidade diária e uma presença ativa do Parlamento que acabou por trazer à rua una instituição que se fechava sobre si própria. E tirando os excessos e as tentações de "mensagens governativas", que se desviam do papel legislativo do Parlamento, é preciso dizer que José Manuel Rodrigues deu vida à Assembleia. E isso já ninguém lhe tira.

É preciso que o PSD-Madeira entenda o que vai fazer quando vier a escolher o seu candidato a líder da Assembleia. Figuras decorativas, não. O Parlamento não governa, mas existe.

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