"Classe política aburguesada e com carreira fechada..."
- Henrique Correia

- há 7 minutos
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"Entram jovens na política e dela nunca saem, construindo uma vida confortável, protegida e distante das dificuldades", escreve o padre Manuel Martins numa opinião "pessoal".

Fala a título pessoal, não quer ligações à Igreja nem a comunidades, é um pleno exercício de cidadania. O padre Manuel Martins, que sempre teve algumas intervenções cívicas, não deixou passar as relações tensas Região/República, em função do Modelo de Mobilidade Aérea, sem criticar fortemente a classe política "aburguesada", tão próxima do povo em eleições, tão distante do povo entre eleições:
"Hoje, em Portugal, a política transformou-se numa carreira fechada. Muitos dos que ocupam cargos de decisão nunca trabalharam fora dos partidos, dos gabinetes ministeriais ou das estruturas do Estado. Entram jovens na política e dela nunca saem, construindo uma vida confortável, protegida e distante das dificuldades que afectam a maioria dos cidadãos. Quem nunca viveu a incerteza de um contrato precário, o peso das contas ao fim do mês ou a dependência de um salário para sobreviver dificilmente compreende, na prática, os problemas que diz querer resolver", refere o padre num escrito no Facebook
Para Manuel Martins "formou-se, assim, uma classe política aburguesada, instalada, preocupada sobretudo com a preservação dos seus cargos, dos seus privilégios e das suas redes de influência. Esta elite governa cada vez mais para si própria e cada vez menos para o povo. O cidadão comum surge apenas como eleitor de quatro em quatro anos, útil para legitimar o poder, mas raramente ouvido quando as decisões são tomadas".
O antigo pároco em Machico e mais recentemente em São Martinho, refere que "este afastamento é evidente em várias opções políticas recentes. A tentativa de alterar o Código do Trabalho contra a posição simultânea dos sindicatos e das entidades patronais é um exemplo claro. Quando trabalhadores e empregadores discordam de uma reforma e apenas o Governo insiste nela, algo está profundamente errado. Governa-se sem escuta, sem consenso e sem respeito pelo diálogo social, como se a experiência de quem trabalha e cria emprego fosse irrelevante".
E diz que "o mesmo se passa com o tratamento dado ao subsídio de mobilidade social para os cidadãos das regiões insulares. Para quem vive nos Açores ou na Madeira, viajar não é um luxo, é uma necessidade. É assim que se acede a cuidados de saúde, educação, emprego e serviços básicos. No entanto, este apoio tem sido tratado como um problema orçamental menor, revelando uma visão centralista e ditatorial, distante da realidade das ilhas. Fala-se de igualdade, mas pratica-se a desigualdade".
Manuel Martins sublinha, ainda, que
"não se trata de desvalorizar a democracia ou de atacar as instituições. Pelo contrário: trata-se de exigir que elas funcionem como devem. Uma democracia não vive apenas de eleições, mas de respeito pelo povo entre eleições...Criticar esta realidade não é um acto de radicalismo nem de ressentimento"




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