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  • Henrique Correia

Colagem a Passos Coelho até pode passar no PSD mas não passa no País



Passos não é uma "bandeira" para ganhar seja o que for. Nem ao berlinde. Por estas e por outras, foi excessiva a "colagem" do congresso do PSD à figura de Passos Coelho.




Terminou o Congresso Nacional do PSD com uma nova liderança, de Luís Montenegro, e com uma representatividade importante da Madeira nos órgãos do partido, passando pela subida de Miguel Albuquerque, de vice para presidente da Mesa do Congresso, e a entrada de Pedro Calado no conselho nacional. Não é uma representação "do outro mundo", como andam a embandeirar, mas sim, é melhor do que era com Rui Rio. Podia ser melhor se fosse atendido o valor eleitoral do PSD Madeira. Mas não se fala disso por causa da unidade pedida, não é a Madeira que vai, agora, dizer que podia ter negociado melhor os lugares. Estes, os lugares, são o que são e se Calado negociou, como dizem, também lhe convém dizer que está bem assim.

Do congresso propriamente dito, é preciso que se diga que Luís Montenegro, um crítico aceso de Rui Rio, quer arrumar a casa, pede uma unidade que nunca deu ao anterior líder, mas ainda assim tem o crédito de um novo ciclo em que todos devem estar empenhados tendo em vista dar dimensão ao partido face à maioria absoluta do PS liderado por António Costa

É preciso lembrar, antes de tudo, que Montenegro foi eleito presidente do grupo parlamentar em junho de 2011 na sequência de uma grande vitória de Passos Coelho, com quem esteve no período complicado que os portugueses bem se lembram, de cortes de salários, alguns irreversíveis, de cortes de subsídios, de mais impostos, portanto de má memória para os portugueses, do ponto de vista das condições de vida.

É verdade que era preciso recuperar o país, com acusações sérias do PSD à governação socialista de José Sócrates, mas Passos foi além do que pretendia a troika e não deixou saudades do ponto de vista daquilo que eram as expetativas dos portugueses para o futuro, muitos ainda hoje sifrem as consequências. Foi o sacrifício para a recuperação, argumentam os "pupilos" de Passos e alguns economistas. Mas independentemente dos méritos que terá tido, Passos não é uma "bandeira" para ganhar seja o que for. Nem ao berlinde.

Por estas e por outras, foi excessiva a "colagem" do congresso do PSD à figura de Passos Coelho. Curiosamente, foi a Madeira a dar o mote quando Miguel Albuquerque, amigo de Passos, próximos no ultraliberalismo, vem lembrar a obra "extraordinária de Passos Coelho" que "salvou o país da bancarrota". Não vamos discutir opiniões, Albuquerque está no direito de defender o amigo, até pode estar muito consciente das suas convicções. Mas em termos estratégicos, este apoio de "peito aberto" a Passos Coelho até pode ter mobilizado a bancada, não sei se mobiliza o partido, mas de certeza não dá grande ânimo ao País para dar a vitória a um partido com "costelas" de Passos Coelho a reboque. Há coisas que o País não esquece. E o PSD não deve ir por aí.

Compreende-se que o partido não pode, nem deve, renunciar ao seu passado, que é feito de períodos bons e de períodos menos bons, de todos os líderes. Mas também deve saber entender os sinais do País e saber até onde pode ir sem colocar em causa a sua história e os seus princípios. O PSD não está em condições de dizer que é assim e pronto, quem quer quer, quem quer não chateie. Fica o aviso para os militantes, alguns até podem seguir o conselho, mas convém que os eleitores não se chateiem muito com o PSD, pelo menos não se chateiem tanto como se chatearam com Passos Coelho.

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