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  • henriquecorreia196

Entre as casas de luxo e o luxo de ter casa


No fundo, colocando as hipocrisias de parte, teremos jovens vivendo em casas sociais que, juntas, formam aquilo a que podemos chamar de complexos habitacionais a custos controlados. Uma espécie de bairros, portanto.




É cada vez mais difícil ter casa própria. É praticamente impossível, sobretudo para os casais jovens, comprar casa no Funchal, até para arrendamento está problemático, o que sendo normal nas grandes cidades europeias, contraria a ideia de trazer moradores para dar vida aos centros, moradores que façam a sua vida nesses mesmos centros de forma regular, não tanto moradores temporários que até podem fazer o mercado funcionar, mas que dificilmente permitem que o Funchal funcione com a vida que se quer.

Como conciliar o funcionamento do mercado com o funcionamento da cidade? Como viver entre as casas de luxo e o luxo de ter casa?

É este o grande desafio que se colocará, acho que já se coloca, ao Governo e à Câmara, em matéria de habitação, entre o negócio e a necessidade, a exigir uma política séria, simultaneamente de defesa das pessoas e defesa da economia.

O presidente do Governo Regional não esconde o futuro e já vem preparando as pessoas para o Funchal de luxo, casas de luxo, hotéis de luxo, muita excelência de serviço para esse luxo, os empresários de luxo já existem, tendo em vista captar o capital, gente com dinheiro que possa absorver os empreendimentos que já estão a ser construídos no Funchal e que, por certo, terão procura, o que é bom para a cidade e para a Madeira em geral, mas cuja matriz deve ter uma estratégia de desenvolvimento equilibrada para não termos uma espécie de "Mónaco" (salvo o exagero da comparação) entre a Praia Formosa e a Zona Velha, com a Madeira real à volta. Os empresários agradecem, o povo não sei.

O presidente do Governo, que não quer perder os empresários, mas também não quer perder o povo, numa questão tão sensível como a habitação, vai preparando as pessoas para ter a "clientela" satisfeita.

E foi por isso mesmo que já avançou com um programa que, no fundo, em traços gerais, cria habitação social sem bairros sociais. E como é que se faz isso? Não explicou, mas vê-se que não partilha da estratégia seguida por Alberto João Jardim de construir bairros sociais, dando casa a muita gente, mas criando problemas pela concentração e estigma. Há uns casos melhores do que outros.

Albuquerque tem uma previsão de 95 milhões, para aplicar até 2026, envolvendo mais de 800 fogos, já anunciou precisamente para descansar as pessoas antes das eleições, face aos investimentos de luxo que estão no terreno, que vão deixar pouca margem de acesso aos madeirenses, sobretudo aos jovens casais, cujas dificuldades todos conhecemos, de precariedade de emprego, de condicionalismos bancários, exigindo entradas e criando obstáculos ao jovem comum.

Claro que o objetivo do Governo é permitir que os privados façam o seu negócio, o tal mercado a funcionar, mas ao mesmo tempo criando, a custos controlados, construções que todos sabemos o que representam quando falamos de custos controlados. No fundo, colocando as hipocrisias de parte, teremos jovens vivendo em casas sociais que, juntas, formam aquilo a que podemos chamar de complexos habitacionais a custos controlados. Uma espécie de bairros, portanto...

Resta saber se será essa cidade do futuro que queremos para esta cidade.



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