Está longa a campanha, está durinho o discurso

É preciso não confundir o endurecimento do discurso político com o endurecimento da ofensa pública. Os candidatos não devem descer ao nível dos perfis falsos.


Não vale a pena insistir numa situação que é recorrente em atos eleitorais, que toda a gente vê, que uma dita Comissão Nacional de Eleições supostamente regula, quando regula nada, que os novos tempos aconselhavam a uma alteração de legislação para mudar de acordo com a evolução. Falamos da pré campanha, que é uma campanha alargadissima, da campanha, a oficial, a de sensivelmente duas semanas antes das eleições, que nada decide nem resolve os indecisos, mas também do dia de reflexão, que há muito tempo não faz qualquer sentido, com aquela ridícula proibição de emitir informação livre, pela via tradicional dos órgãos de comunicação, quando hoje a componente digital, muito mais importante, porque mais abrangente (por muito que se pretenda ignorar a realidade), altera completamente esse figurino legal impróprio para consumo.
Mas é neste contexto, com estas leis, que vamos assistindo a este enquadramento das eleições autárquicas, que são realmemte importantes para o futuro de partidos e de lideranças, também de carismas. Não é por acaso que, a titulo de exemplo, o secretário geral do PSD Madeira, José Prada, escreve, num artigo de opinião publicado no DN, que estas eleições "são, quiçá, as Eleições mais importantes e decisivas para o futuro da Madeira e do Porto Santo".
O Funchal assume contornos decisivos, ninguém consegue já esconder essa predisposição. Prevê-se um equilíbrio, por muito que digam as sondagens, os candidatos sabem isso mesmo e estamos a menos de um mês da consulta ao eleitorado, sendo que o candidato Pedro Calado tem vindo a endurecer o discurso nos últimos dias, ao que se sabe, com base em informações que afirma como estando acompanhadas de provas, sobre uma hipotética compra de votos. Ao que a coligação "Funchal Sempre à Frente" chama de denúncia, a Coligação Confiança diz que é desespero. Não se sabe o que o povo diz, nem se sabe quanto valem estes "incidentes" em termos de votos, até que um dia se discutam eventuais processos em tribunal, certamente alvo se analise mas nunca antes de 26 de setembro.
É importante que mesmo nos tempos da lei eleitoral, em contraciclo com a realidade, os candidatos possam mostrar ao que vêm num patamar de elevação, denunciando, com provas concretas, dadas a conhecer publicamente a tempo de uma avaliação correta das situações, mas sempre acima do que se passa nas chamadas redes sociais, que têm um lado positivo, quando sério, mas um lado negativo, de falsos perfis, de ofensas a coberto do anonimato, de juizos de valor, que pura e simplesmente devem ser ignorados por parte de todos os intervenientes políticos. As críticas, mais ou menos duras, devem ter cara. As respostas também.
É preciso não confundir o endurecimento do discurso político com o endurecimento da ofensa pública. Os candidatos não devem descer ao nível dos perfis falsos. Simplesmente porque têm, caso ainda não tenham percebido, um perfil a defender. Acima de tudo.
Isto se quiserem ganhar a credibilidade junto do eleitorado. E sabe-se como este reage aos ataques inconsequentes.



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