Falar com o médico antes de vacinar a criança é uma boa opção

Cada caso é um caso e por isso a consulta médica é um apoio importante. Mas entende-se que os focos de contágio e o tempo são "inimigos" dessa espera.

Acho que tanto a Direção Geral de Saúde como a Direção Regional de Saúde deveriam ter começado por aqui - consulte o seu médico - o processo de vacinação das crianças dos 5 aos 11 anos. Deveriam ter aconselhado os madeirenses a consultarem os médicos que acompanham habitualmente os seus filhos, os especialistas em Pediatria, que conhecem o percurso clínico das crianças, que em princípio são pessoas idóneas para oferecer um quadro mais correto que depois possa permitir a opção dos pais, que como se sabe é livre e seja qual for deve ser respeitada.
O médico Ricardo Baptista Leite, também deputado do PSD, mas para este caso não interessa nada, é apenas uma curiosidade, veio a público defender a vacina das crianças, mas também defender a consulta prévia ao médico pediatra, no fundo um aconselhamento médico para que os pais possam decidir o melhor possível. Concordo plenamente com esta opção, acho boa ideia, um aconselhamento sobre matéria sensível como é a vacinação contra a Covid-19 para crianças. Tudo indica que vacinar é opção correta, que as doses são especificamente destinadas às crianças, que todas deveriam ser vacinadas. Mas este é o princípio geral, cada caso é um caso e por isso a consulta médica é um apoio importante.
O Governo Regional tem andado à frente das medidas que depois são adotadas no resto do País e neste caso foi igual. A questão mesmo é a sensibilidade do assunto e a importância de uma adesão alargada, o que até pode acontecer, mas a posição do Governo ficaria em melhor posição se aconselhasse a consulta prévia ao pediatra.
O problema, aqui, é o tempo. A verificação que as crianças estão a ser focos de contágio e não há tempo a perder neste processo de vacinação. Tudo isso é verdade. Mas também é verdade que a vacinação das crianças não criou a unanimidade como para os adultos. E enquanto no continente a vacinação decorre por ordem etária decrescente, primeiro os 11 e 10 anos, na Madeira essa especificidade não foi entendida como importante e é no regime de casa aberta, que começa hoje, 14 de dezembro.
Não há, assim, um enquadramento uniforme, nem internacionalmente, e isso leva a que as pessoas se interroguem sobre uma questão que está longe de criar consensos, embora exista um factor importante a ter em conta, que é obviamente o foco de contágio e o que isso implica de consequências para pais, avós e outros familiares, até já vacinados. E todos sabemos que têm falecido pessoas, até ainda novas, já vacinadas. Mesmo atendendo à classificação que a secretaria dá como tendo "comorbilidades associadas".
Já agora, comorbilidade é definida assim: Qualquer patologia independente e adicional a uma outra existente e em estudo num paciente. Como se vê, encaixa no perfil clínico da maioria das pessoas com mais de 45/50 anos.
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