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  • Henrique Correia

Falar verdade e pagar o que se deve


E o melhor para a comunidade é o compromisso, honrar a palavra, cumprir as decisões judiciais. E com isso, esperar o respeito do povo. O que é tão válido para quem deve à ARM ou quem deve devolver IRS retido.



Questão prévia: os políticos não são todos iguais, a política não é toda igual, os tribunais existem precisamente para "arbitrar" diferenças entre partes, existem para que se recorra dentro do que a lei prevê, mesmo que o factor tempo seja desesperante para quem precisa de medidas céleres.

Posto isto, independentemente das questões político-partidárias que habitualmente condicionam a atividade das instituições, estas e os seus respetivos titulares devem estar acima de qualquer suspeita, devem ser pessoas de bem, de palavra, de compromisso, de bom senso e de resistência à vulgaridade que as disputas eleitorais sempre proporcionam e que, não raras vezes, fazem emergir o que há de pequenez nas questiúnculas políticas, que resvalam o debate para um terreno pantanoso da vivência democrática, transformando este edifício da democracia num pardieiro de banalidades e vulnerabilidades por falta de maturidade de estado de alguns dos protagonistas.

Pouco importa saber quem é que tem mais ou menos calotes, quantos euros de diferença, se nas contas entram as dívidas à ARM e à EEM, se os 9 milhões do IRS, que o tribunal levou tanto tempo a resolver, é com a República quando interessa, mas já foi da Região quando interessava. Pouco importa a argumentação, mas importa o que se disse um dia, num determinado contexto, o que se disse agora, sobre o mesmo assunto, mas noutra conjuntura. Não mudou nada, muda o discurso. Isso conta, conta e muito, mas o povo, e já agora o clero e a "nobreza", já estão habituados. Por isso é que já ninguém liga, é mau mas ninguém liga. É aquilo a que podemos chamar de "modus operandi". Não são todos iguais, fazem é igual, mas é verdade que há mais iguais do que diferentes.

Não está em causa a utilização de expedientes que esta justiça a "passo de caracol" proporciona. É o que temos. A questão é mesmo de bom senso, de sentido de Estado que só os grandes estadistas podem ter. O debate é saudável, desde que tenha grandeza, do argumento e da estatura institucional dos protagonistas, para que a população possa perceber que os destinos de uma cidade ou de uma Região não são fruto do interesse dos partidos, ou outros, mas em favor do que é melhor para a comunidade.

E o melhor para a comunidade é o compromisso, honrar a palavra, cumprir as decisões judiciais. E com isso, esperar o respeito do povo. O que é tão válido para quem deve à ARM ou quem deve devolver IRS retido. Ou outra dívida qualquer.

Bom para o povo é falar a verdade e pagar o que se deve...




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