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  • Henrique Correia

Filipe Sousa escreve a Albuquerque "porta voz de Calado e presidente do GR"

Atualizado: 6 de jan.


"Venham as inspeções que vierem, nada vão encontrar de escondido ou contra a lei, como foi regra em tempos idos nesta autarquia"




"Haja vergonha, porque nós, felizmente, temos tudo em ordem. Venham as inspeções que vierem, nada vão encontrar de escondido ou contra a lei, como foi regra em tempos idos nesta autarquia.

Quem não deve não teme. E hoje Santa Cruz nada deve e nada teme". Foi assim que o presidente da Câmara de Santa Cruz reagiu à notícia, no JM, dando conta que o Governo mandou fazer uma auditoria aos apoios sociais no concelho.

Filipe Sousa escreveu ao presidente da Associação de Municípios da Madeira, Pedro Calado, para que este defenda, cumprindo a sua função de presidente da AMRAM, o regresso dos contratos-programa com todas as autarquias e não apenas com as do PSD. A resposta não foi dada por Calado mas por Miguel Albuquerque, o presidente do Governo.

Posto isto, Filipe Sousa escreveu hoje uma carta aberta dirigida a Albuquerque, que segundo o autarca, "acumula a função de porta voz do presidente Calado com a de presidente do Governo Regional".


"No dia em que escrevo uma carta do Dr. Pedro Calado para que este defenda, cumprindo a sua função de presidente da AMRAM, o regresso dos contratos-programa com todas as autarquias e não apenas com as do PSD, eis que ocorrem vários fenómenos caricatos e coincidências estranhas, a ver:

- A resposta à missiva vem do presidente do Governo e não do Presidente Calado;

- A resposta ataca a subsidiodependência, nome que atribui aos apoios sociais dados a uma parte dos 50% de madeirenses que vivem em situação de pobreza à margem do suposto sucesso económico e político do PSD;

- A resposta, que não fala de contratos-programa, mas de uma suposta subsidiodependência, surge no dia em que somos informados pela Inspeção Regional de Finanças de que os subsídios que atribuímos às pessoas que precisam vão ser auditados pelo referido organismo.

Perante isto, surgem-nos várias questões:

- Vai o Governo Regional continuar a usar organismos públicos como braço-armado da sua política de perseguição ditatorial a quem ousa criticar a sua ação?

- Onde estava esta mesma inspeção de Finanças quando na Câmara de Santa Cruz não se ajudava as pessoas que precisavam, mas fazia-se, sem lei nem roque, uma dívida ilegal de mais de 50 milhões?

- Onde andava esta Inspeção Regional de Finanças quando a própria Região fez uma dívida de mais de 6 mil milhões de euros?

- O que estava a fazer esta dita Inspeção Regional de Finanças quando durante anos a Madeira recebeu milhões da Europa e mesmo assim conseguiu chegar a 2022 com 50% da população em risco de pobreza extrema?

- Onde anda a Inspeção de Finanças perante a terra sem lei que é o Aeroporto construído em terreno de ninguém e que não paga os impostos devidos?

Sei que estas perguntas, como tantas outras, ficarão sem resposta, e que os senhores desta terra vão continuar a perseguir os míseros euros com os quais se ajuda as pessoas que precisam, em vez de auditarem os subsídios milionários a empresas do regime, os apoios sem regras a casas do povo e quejandos, a promiscuidade entre política e organismos que deviam ter a sua independência assegurada para que a democracia fosse plena nesta terra.

Dá pena ver um presidente do Governo Regional, cada vez mais próximo dos ideais do Chega, que acha que os problemas do país são os subsídios aos pobres. Dá pena ver como se tenta iludir as pessoas, pondo em causa subsídios sociais na saúde, na educação, no social, na habitação. Subsídios que tentam resolver o que este regime podre e pobre não resolveu durante décadas.

Só para que conste, quem critica tão abertamente os subsídios, são os mesmos que criaram na Madeira a subsidiodependência em todas as áreas, e não para os pobres, e são os mesmos que em assessorias e nomeações políticas gastam mais do que o Orçamento Municipal de Santa Cruz.

Haja vergonha, porque nós, felizmente, temos tudo em ordem. Venham as inspeções que vierem, nada vão encontrar de escondido ou contra a lei, como foi regra em tempos idos nesta autarquia.

Quem não deve não teme. E hoje Santa Cruz nada deve e nada teme".


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