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Gouveia e Melo em "grande": "Não quero arruaceiros na Marinha"

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
26 de mar. de 2022
2 min de leitura


O Almirante reagiu ao envolvimento de dois fuzileiros na morte do jovem polícia na sequência de brutais agressões numa discoteca em Lisboa.




O Almirante Gouveia e Melo, Chefe de Estado Maior da Armada, não esteve com "meias medidas" e fez um discurso de grande intensidade em termos de mensagem às suas "tropas", mas também aos portugueses, depois do envolvimento de dois fuzileiros no ataque brutal a um jovem polícia, que acabou por morrer.

O Almirante, que perante os portugueses foi o "herói" da organização do processo de vacinação da Covid-19, veio agora dar um exemplo à sua nação, a da Armada, demonstrando que as lideranças não são apenas feitas de cobertura total, mas também de reconhecimento público quando são cometidos erros que colocam em causa a instituição.

Gouveia e Melo disse, por exemplo, que

"ver Fuzileiros envolvidos em desacatos e em rixas de rua, não demonstra qualquer tipo de coragem militar, mas sim fraqueza, falta de autodomínio, e uma necessidade de afirmação fútil e sem sentido...Os militares não podem ser "movidos pelo ódio, pela raiva e nos valores militares "não há espaço para o desprezo pela vida alheia", nem para "crueldade...Quando vejo alguém a pontapear um ser caído no chão, vejo um inimigo de todos nós, dos seres decentes, vejo um selvagem, vejo o ódio materializado e cego, vejo acima de tudo um verdadeiro covarde".

O Almirante diz que "os acontecimentos do último sábado já mancharam as nossas fardas independentemente do que vier a ser apurado. O ataque selvático, desproporcional e despropositado não pode ter desculpas e justificações nos nossos valores, pois fere o nosso juramento de defender a nossa Pátria. O Agente Fábio Guerra era a nossa pátria, a PSP e as Forças de Segurança são a nossa Pátria e nela todos os nossos cidadãos...Quando telefonei à família para lhes dar os meus pêsames não sabia o que dizer, não sabia como justificar, como explicar, só uma profunda tristeza e um nó na garganta que me sufocava as palavras". Foi uma "morte sem sentido", em cujos eventos "estavam dois homens sob o meu comando". "Não consegui dizer nada mais que prometer justiça e lutar para que não voltasse a acontecer...Não quero arruaceiros na Marinha; Não quero bravatas fúteis, mas verdadeira coragem, física e moral; Não quero militares sem valores, sem verdadeira dedicação à Pátria".


 
 
 

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