Há convívios em todo o lado, há abraços e beijos nos cafés; Boa sorte e Fé em Deus

Se nem conseguimos que a juventude entenda a importância de alguns comportamentos diferentes, se ainda vemos apertos de mão de gente crescida e bem posicionada em diferentes setores, então neste fim de ano, a Covid vai descer tão rápido como o fogo sobe.

Se são mesmo importantes os avisos, constantes e intensos, dos governantes, cá e lá, para a necessidade de evitar os convívios de Natal, quer em casa, quer fora, certamente com base no quadro epidemiológico verificado até aqui, bem como, suponho, com base médica e da Autoridade de Saúde, então será preciso mais do que conversa para que ocorra o cumprimento das medidas, na medida do que será desejável para uma prevenção que corresponde ao que se pede e ao que se considera suficientemente eficiente reduzir riscos e para evitar mais contágios.
Depois do primeiro-ministro, ontem, ter assumido uma descompressão no Natal e um "aperto" de medidas no final do ano, em termos nacionais, mas dando às ilhas a possibilidade de aditarem modelo diferente, hoje foi a vez de Miguel Albuquerque e Ireneu Barreto virem a público, em momentos diferentes, com alertas semelhantes tendo em vista evitar convívios, evitar contactos, colocar máscaras, manter distanciamento e adotar comportamentos de higienização. Foi só mais um dia de alertas, é sempre bom alertar, como é bom alertar tendo em conta o que vai à volta e que se é visível para o cidadão comum, também é visível para quem tem responsabilidades de fazer cumprir as recomendações que considera importantes. E, repito, se é mesmo necessário, e acreditamos que sim até prova em contrário, é preciso cumprir. Mas não, é só pegar nas publicidades sobre menús de Natal, para grupos, convívios para "dar e vender", bem como abraços e beijos da malta, nos cafés, com partilhas se cigarros e tudo à mistura, demonstrando que, afinal, nem é surpresa o que se tem passado nas escolas da Região, onde os cuidados de dentro não são continuados, na sua maioria, pelos cuidados cá fora. Só quem anda na rua, coisa que até Ireneu Barreto, que anda pouco, já viu: muita gente com máscara, mas muita gente sem máscara. "Vou morrer de alguma coisa", dizem em desabafo com um misto de "irresponsabilidade e idiotice".
Mas é assim, estamos a uma semana do Natal, a duas do final do ano, o Governo vai anunciar medidas na segunda-feira, não se sabe se envolve os círculos de Fátima, se haverá outra solução para juntar gente sem ajuntamentos naquele 31 à noite. Deve fazê-lo, e faz bem fazê-lo. Mas as pessoas, mesmo com um QI elevado, que não a responsabilidade, não estão a cumprir. Nem vão cumprir. Se os números de janeiro dependem do Natal e do final do ano, então janeiro terá mais casos por muitas medidas que se apresentem e por muita polícia que se coloque na rua.
Se nem conseguimos que a juventude entenda a importância de alguns comportamentos diferentes de uma realidade normal, num dia habitual de café, se ainda vemos apertos de mão de gente crescida e bem posicionada em diferentes setores, que ainda fica ofendida se ficar de mão estendida sem correspondência da responsabilidade, se vemos tanta falta de cuidado no dia a dia, então este fim de ano a Covid vai descer tão rápido como o fogo sobe.
É muito difícil alterar comportamentos. É só um copo, é só um convívio, é só um aperto de mão, é só um beijo, vá lá dois, é só um abraço, dois no máximo porque um não é nada. E agora, enquanto escrevia este texto, o presidente do Governo considerava irresponsável a realização de um curso de ralis, supostamente de forma clandestina nas serras na Madeira e onde esteve presente um piloto que agora testou positivo. Isto é o que se sabe. E os "cursos" que vão por aí e passam despercebidos? Vá-se lá ver e a irresponsabilidade é maior do que se julga.
É só um pouco de tudo o que dizem que não se pode fazer. É só isso, se não for mais. O resto é "Boa Sorte e Fé em Deus".



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