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  • Henrique Correia

Jardim admite regressar à política ativa no País e até já tem manifesto



Jardim dureto e polémico: "Marcelo Rebelo de Sousa é o pior Presidente da República eleito depois do 25 de abril; Rio não é um partidocrata e o PSD foi assaltado; Rangel representa a maçonaria, até pode ganhar o partido, mas não ganha o País"



O regresso à vida política ativa não será na Região nem na Presidência da República.


Alberto João Jardim é, ao mesmo tempo, muito previsível e uma "caixinha de surpresas". Primeiro, está por dentro e intervém, com os meios que dispõe, artigo de jornal e redes sociais, na vida do partido, o PSD, cá e lá, mas também do País. Segundo, quando pensamos que vai ficar por ali a sua ação, em reforma, tira um "coelho da cartola" e surpreende.

Foi o que aconteceu numa entrevista ao Porto Canal, onde lança para o País, desde a Madeira, uma disponibilidade total para intervir na política ativa. Postas de lado, ficam a política regional e a Presidência da República. Para estas, assunto fechado. Fica o País, deixando uma porta aberta para ser uma espécie de conselheiro do líder, que no caso destas internas de 4 de dezembro, só pode ser Rui Rio. O outro candidato, Paulo Rangel, representa a maçonaria.

Não se sabe o que Jardim tem na "manga" e não é homem para lançar uma espécie de candidatura. Nesta entrevista, diz quase tudo, escolheu o meio para o fazer, com expansão nacional. É para aí que joga, mas diz que faz como o presidente do Sporting, define os objetivos "jogo a jogo".

Mas Alberto João Jardim não fica por aqui e até já tem manifesto. Para já com quatro pontos: "primeiro, ordem democrática, com reforma legislativa e disciplina democrática; segundo, trabalho, uma vez que não podemos ter gente a viver de subsídios quando pode trabalhar; terceiro, transparência, acabar com o peso das sociedades secretas; quarto, intervenção na vida da União Europeia, a UE está parada".

Em matéria de contexto político nacional, Jardim defende eleições antecipadas, já o tinha dito. Afirma que a classe média está "afogada" e há gente mantida na pobreza, o que até é do agrado do grande capital, qye paga impostos lá fora e assim paga ordenados baixos".

Mas além das críticas que faz ao PS por ter trazido à decisão da vida dosportugueses dois partidos estalinistas, não perdoa uma crítica acesa ao Presidente da República.

Jardim já elogiou Marcelo e alguns desses elogios estão escritos no seu livro "Combate". Mas isso foi antes, agora é diferente, muito diferente tal a diferença de opinião. O antigo presidente do Governo e antigo líder do PSD Madeira, onde hoje é presidente honorário, diz sem reserva e com a frontalidade que se lhe reconhece, que Marcelo Rebelo de Sousa " é o pior presidente da República eleito desde o 25 de abril de 74". Assim, é Jardim puro e duro, dizendo que Marcelo quer é selfies e que não o chateiem. "É um colaboracionista com o colaboracionismo do PS com a extrema esquerda". E ainda diz: "Sinto-me traído".

Abordando a questão interna do seu partido, o PSD, diz que Rui Rio "não é um homem de partido, não é um partidocrata, como eu também não sou. Há muita clientela nos partidos que fazem as jogadas para satisfazerem os seus interesses", reforça Jardim, que sabe do que fala e porque fala. Diz mesmo que até fez mais inimigos dentro do partido".

De Paulo Rangel, afirma que representa a maçonaria, que está mais dentro do PSD do que dentro do PS. "Houve um assalto ao PSD, há uma aliança de lobbies. Mas Rangel não vai ser primeiro-ministro. Até pode ganhar o partido, mas não ganha o País".



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