Jardim critica retirada de jornalistas à Informação e "textos desinteressantes"

Mas Jardim critica a estratégia dos Governos de Miguel Albuquerque, que a bem da verdade já vinha sendo adotada, não na Quinta Vigia, mas em algumas secretarias de tempos jardinistas.

Não é segredo para ninguém o entendimento que o Dr. Jardim sempre teve relativamente à comunicação social e a conotação de esquerda que sempre deu aos jornalistas que, por uma razão ou outra, de forma conjuntural ou não, elaboravam trabalhos incómodos em matéria de governação. Sempre confundiu "contra-poder", que deve ser a essência da comunicação social, que não anti-poder como erradamente alguns adotam, com aquilo que chama "esquerdização", precisamente para "colar" os jornalistas a um certo estigma que em tempos perdurou em matéria político partidária numa Região em que ou era do PSD ou era comunista, entretanto esbatida, não acabada, pelos tempos e pela nova estratégia, a que muitos chamaram de renovação, mas que na prática representa tudo o que Jardim fazia mas contornando o que ficava mal. Em vez dos apoios diretos, há outros "caminhos".
Esta semana, Jardim escreveu no Twitter:
"Não percebo...
Tiram à comunicação social, dos melhores Jornalistas e, depois, queixam-se da esquerdização desses meios! Pudera!...
Bons tempos em que bastava o Paulo Pereira para , comigo, ”cozinharmos” uns “infernos”, cá e em Lisboa,em vez de textos longos e oficiosos, desinteressantes".
Esta posição do Dr. Jardim tem muito que se lhe diga e muito curiosa, a merecer alguma reflexão, mas também alguma memória, que neste contexto da comunicação assusta tanto empresários do setor como políticos. A memória faz história e a história faz memória.
Mas Jardim critica a estratégia dos Governos de Miguel Albuquerque, que a bem da verdade já vinha sendo adotada em algumas secretarias de tempos jardinistas, uma falha de memória do Dr. Jardim. Mas mesmo assim, fala de assessorias que constituem desfalque valorativo nesses órgãos de comunicação social. No fundo, recrutar na comunicação social, normalmente nos jornais, profissionais que são colocados nos diferentes departamentos governamentais. E esse expediente não começou com o atual presidente do Governo, Miguel Albuquerque apenas massificou, em primeiro lugar pelo valor de alguns, mas numa outra componente para absorver profissionais que os órgãos de comunicação não pretendiam nos seus quadros e prescindiam dos serviços para reduzir orçamentos sem que sobre os seus ombros engrossasse o ónus dos despedimentos, que era o caminho desses profissionais se o Governo não "deitasse a mão". E claro que, como diz o povo, não há "almoços grátis".
Claro que o Dr. Jardim, pelos anos em que se manteve no poder, tem do seu lado a eficácia dos meios. Os bons métodos são os que resultam. E mesmo discordando de alguns expedientes, a verdade é que os tais "infernos" cozinhados por Jardim acabaram por manter o poder de quatro décadas. Hoje, o custo é maior para os mesmos objetivos. O custo em assessorias, em publicidades, em apoios, em fórmulas, diretas ou indirectas, implicando intervenção do poder público na comunicação social.
Claro que o dr. Jardim cometeu alguns erros nesse domínio. Tinha uma visão fixa, inflexível, sobre a comunicação social, entendendo que só um órgão público, de combate político, poderia combater um órgão privado, este que ao contrário do que se afirmava não era, nunca foi, totalmente independente do poder político e económico, mas que para a plateia surgia com o altruísmo de afrontar Jardim, como se fosse uma "bandeira libertadora" da Madeira. E Jardim era, assim, a maior e melhor publicidade.
Mas não os secretários de Jardim, que continuavam como "fontes" privilegiadas, apenas Jardim era o alvo. A muitos governantes até deu jeito E Jardim fingia que não via. E insistiu, mal, no erro de pretender fazer de um órgão do sistema, já condenado a não progredir em mercado livre, como acontece com todos os órgãos de sistema, um meio de combate político com uma arma sem as "munições" da concorrência. O resultado foi o que se viu. Só se faz um bom combate com uma boa arma de combate.



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