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  • Henrique Correia

Jardim e Raquel Coelho unidos contra Lisboa pelas liberdades na internet


Artigo da deputada municipal do PTP contra a aprovação, na República, da Carta de Direitos Humanos na Era Digital, que promove a censura a pretexto de combater a desinformação.




Até fomos "obrigados" a ler segunda vez. Por segurança, porque isto de escrever, se quisermos manter a seriedade, devemos ver bem antes de publicar. E foi assim que vimos Alberto João Jardim, nestas recém adotadas incursões pelas redes sociais, que primeiro os políticos estranham, alguns abominam com aquele desdém que só eles conseguem, mas que rapidamente entranham sem dar tempo a saber porquê, vimos Jardim, dizia, elogiar Raquel Coelho, deputada municipal do PTP, um "ódio de estimação" para Jardim dos velhos tempos.

E tudo porque Raquel Coelho escreveu, no JM, órgão que deve estar à margem, a avaliar pelo princípio de que não se duz mal do local onde se escreve, daquela critica sobre o "bem dizer": "Que não falta no espectro regional são especialistas do “bem dizer”. Desde jornalistas, cronistas, a políticos. Devíamos ser um caso de estudo".

Mas vamos ao que interessa mesmo, ao que motivou esta "aproximação" de Jardim a Raquel Coelho. Foi por isto, com a devida vénia sobre este conteúdo no JM: "Enquanto estávamos todos absortos com as notícias da pandemia, aprovaram em Abril, a Carta de Direitos Humanos na Era Digital. Quem lê o título da lei até parece algo bom, mas na prática sob a desculpa de concretizar nacionalmente o “Plano Europeu de Combate à Desinformação” acabamos, através do Artigo 5 do diploma, a atribuir ao Estado poderes para controlar e rotular conteúdos na Internet. Com o pretexto da proteção da população, arranjaram uma via para lançar a censura sobre as redes sociais. Não é por caso que existe a expressão “de boas intenções o inferno está cheio”. Com esta lei o Estado quer ditar o que é “desinformação” e o que é “fidedigno”, ou seja, o que é bom e mau para o cidadão ler. Agora, parece que o legislador e os deputados na Assembleia da República esqueceram de explicar, quem intitulou o Estado dono da verdade? E que “critérios” foram definidos para poder avaliar o verdadeiro ou falso na informação!"

Claro que Raquel Coelho tem razão, na realidade é um absurdo. Mas certamente que ela própria devia esperar todas as reações menos de Jardim. E o ex-presidente do Governo, que teve Raquel Coelho "à perna" em "vigência política", veio reagir, no Twitter e no Facebook, sobre este escrito: "Subscrevo posição de Raquel Coelho no “J.M.”: o Estado partidocrático não é dono da Verdade para se arrogar a fazer CENSURA aos conteúdos da Internet,como votou a Ass. República. Avisei...vamos a caminho do socialismo venezuelano!..."

E Raquel Coelho não demorou a reagir, pela mesma via, o Facebook: "Ora, muito bem, todos somos poucos para combater a lei fascista da carta portuguesa dos direitos humanos na era digital. Isto chega a todos! Não vá o diabo tecê-las e o blog renovadinhos ser considerado desinformação pelo Estado. Melhor jogar pelo seguro!"

Como diria o saudoso Fernando Pessa, figura icónica da RTP: "E esta, hein?"


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