Jardim ainda não fez as pazes com o "golpe" interno no PSD Madeira
- Henrique Correia

- 28 de jun. de 2022
- 2 min de leitura
Mas claro que, no quadro da política madeirense, tem sido suficiente esta "unidade de poder" que vai disfarçando uma certa "fissura" na unidade de partido.

Esta coisa da unidade partidária, ou a falta dela, tem muito que se lhe diga e é váriavel de acordo com o posicionamento do partido, se está no poder ou se está na oposição. No poder, é mais fácil gerir os "ajustes de contas", os "ódios de estimação", sem que isso represente grandes abalos eleitorais. No fundo, há "guerras", algumas já têm "barbas", mas há também a consciência que é importante, nos momentos chave, unir esforços, fazer tréguas, porque há valores maiores em jogo, valores que dão garantias a gerações.
É isso que acontece no PSD Madeira, com vários assuntos por resolver ao longo dos tempos e ainda assim capaz de ter votos e manter-se no poder vivendo de alguns créditos relacionados com os mais de 40 anos de poder. E com a "mão", do CDS, que "embala" o poder. Porque os problemas não estão resolvidos. Que o diga Albeto João Jardim, antigo presidente do Governo Regional e do PSD Madeira, cujas contas ainda não estão saldadas com alguns "meninos" que fizeram o "golpe palaciano" entre 2012 e 2015, assim lhe chama Jardim, com Miguel Albuquerque na perseguição ao poder. Jardim ainda fala disso com paixão, admite que as relações com Miguel Albuquerque estão melhores depois do que considera uma infelicidade aquele primeiro governo do pós jardinismo, feito à medida dos ajustes de contas, entretanto remodelado em boa altura, segundo Jardim. Só para recordar, assim como que para reavivar a memória, a remodelação passou pela saída do secretário regional Sérgio Marques, talvez a figura que expressava mais essa "sede" de arrumar o jardinismo e trazer à ribalta figuras com quem Jardim tinha tido grande luta. Também saiu Eduardo Jesus, do Turismo, e Rui Gonçalves que nas Finanças dá lugar a Pedro Calado, além das sucessivas alterações na Saúde, com três secretários, Manuel Brito, Faria Nunes e Pedro Ramos, e ainda Rubina Leal que sai do Governo para tentar ganhar a Câmara do Funchal, sem sucesso, acabando por não conseguir recuperar a confiança governativa por parte de Miguel Albuquerque, não obstante o apoio incondicional de Rubina Leal, aquando das internas, mesmo quando outros tinham dificuldade de dar a cara na altura. Desde o primeiro governo de Albuquerque, apenas três secretários sobrevivem: Susana Prada, Humberto Vasconcelos e Jorge Carvalho.
Mas o que disse Jardim, ontem à RTP Madeira, mostra que os problemas internos do PSD Madeira não estão totalmente resolvidos, dando a entender que, ainda hoje, lá estão alguns "meninos" que na ótica de Jardim escaparam à "limpeza" anterior. E que tiveram "dedo" nesta última "tensão interna" com os discursos do Chão da Lagoa visando Pedro Calado.
Interessante a declaração de Jardim relativamente à coligação com o CDS, apesar de reconhecer ter sido um feroz crítico dos centristas. Jardim duz que nesta coligação, até tem sido o CDS a portar-se melhor do que o PSD-M. Tudo por causa desses "meninos" que Jardim claramente não gosta.
Mas claro que, no quadro da política madeirense, tem sido suficiente esta "unidade de poder" que vai disfarçando uma certa "fissura" na unidade de partido.



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