José Manuel Rodrigues "chama" Governo para o café depois do discurso a "bater"

A intervenção de José Manuel Rodrigues no Dia da Região não poupou a governação regional. E o café nos "Passos Perdidos" deve ter ficado "amargo" para alguns.

José Manuel Rodrigues, como se sabe, é o presidente da Assembleia na conjugação negocial do Governo PSD/CDS. É antigo líder do CDS e desde que chegou ao Parlamento Madeirense mudou a estratégia como da noite para o dia. A Assembleia aparece mais, dá mais para o exterior, intervém mais e o seu presidente, ao contrário dos seus antecessores, já deu provas que não é nem quer ser uma espécie de "Rainha de Inglaterra", como o povo chegou a apontar algumas orientações anteriores. Mas há quem diga, agora, que temos um presidente do Governo não executivo.
Pois foi neste contexto de debate que no Dia da Região José Manuel Rodrigues voltou a fazer uma intervenção que foi além dos lugares comuns. E apontou a dedo alguns aspetos que são da competência do Governo. E com o Governo a ouvir. As escolas que fecham e vão para lares, a pobreza, a política de família, toca em vários secretários.
No final, não se sabe se o peso das palavras e dos conteúdos tiveram a ver com isso, José Manuel Rodrigues chamou as entidades, presidente do Governo e alguns secretários incluídos, também o diretor das Comunidades, para um café nos chamados "Passos Perdidos", café que até pode ter sido muito "amargo" para alguns governantes. Como era Dia da Região, o cafezinho passou, mas aquele discurso de Rodrigues deve ter custado a "engolir", mais duro do que a propalada unidade da coligação governamental regional, onde nem o líder do CDS, secretário da Economia, chegou a um por cento dos alertas de José Manuel Rodrigues.
Para a história, ficam aqui algumas das observações do presidente da Assembleia. Eventualmente para o Governo meditar. E se calhar o CDS também.
"Quando fechamos escolas, inauguradas há poucos anos, para aí instalarmos lares, é sinal de que alguma coisa falhou e precisamos de repensar algumas políticas"
"O que falta é uma política integrada de Família que crie todas as condições para os casais terem os filhos que desejarem e para que disponham dos meios para cuidar dos seus idosos.
Isso passa por estabilidade laboral para os jovens;
• melhores salários;
• leis que permitam a conciliação entre vida laboral e familiar;
• ensino gratuito desde a creche à Universidade;
• sistema fiscal que beneficie os maiores agregados familiares;
• apoios à construção de habitação;
• incentivos ao regresso dos jovens que emigraram nas últimas décadas;
• programas de apoio aos luso-descendentes que se queiram fixar nas nossas ilhas;
• melhores pensões e reformas;
• apoios aos cuidadores;
• reforço dos cuidados de saúde e da ajuda domiciliária;
• valorização do papel do idoso na nossa sociedade, através de uma cultura intergeracional.
Estas políticas têm custos, mas haverá custo maior do que ter uma sociedade desequilibrada entre novos e velhos, que não gera riqueza para dar oportunidade aos primeiros nem fazer justiça aos segundos?"
"É verdade que demos passos significativos desde a implantação da Autonomia, reduzindo o fosso entre ricos e pobres, esbatendo a diferença entre classes sociais, diminuindo as assimetrias entre os campos e as cidades, e criando uma classe média mais forte e um pilar fundamental da nossa sociedade. Mas é igualmente certo que alguns dos nossos cidadãos ficaram nas margens desse desenvolvimento; que persistem, nas nossas ilhas, bolsas de pobreza e de marginalização muito acentuadas, e que as crises económicas dos últimos anos e a atual crise sanitária vieram acentuar as disparidades sociais e empobrecer uma boa parte das famílias da classe média.
Também aqui, não basta ter medidas assistencialistas e caritativas, que são necessárias no imediato, para acudir às privações das pessoas, como agora aconteceu, e bem, com os apoios no combate às consequências da pandemia, mas que não vão à raiz do problema".
"As verbas que vamos receber da União Europeia até 2030, que podem chegar aos dois mil milhões de euros, podem e devem contribuir decisivamente para minimizar os problemas da natalidade, do envelhecimento da população, do emprego e da pobreza, e para lançar as bases de um novo ciclo económico e social na Região".



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