José Manuel Rodrigues com rasgado elogio a Jardim e um alerta ao Porto Santo

"Estou certo de que a Câmara e o Governo Regional estão cientes de
que este boom turístico é muito bom, mas traz riscos e ameaças que
convém suster e afastar".

É verdade que as circunstâncias são outras, os tempos também, o poder é partilhado e o CDS deixou de estar na oposição e abandonou o "ódio de estimação" por Alberto João Jardim. Mas não deixou de despertar curiosidade o elogio que José Manuel Rodrigues, hoje presidente da Assembleia Regional e outrora líder do CDS e combatente feroz ao regime jardinista, fazer hoje, no Dia do concelho do Porto Santo, um elogio rasgado a Jardim, ao homem e à obra:
"Este concelho, que hoje comemoramos, teve, nos últimos 46 anos, o Este concelho, que hoje comemoramos, teve, nos últimos 46 anos, teve o
maior investimento per capita do país, criando-se as infraestruturas
essenciais ao seu desenvolvimento e fomentando-se uma clara melhoria
das condições de vida do seu povo.
Isso deve-se, em grande medida, à criação da Região Autónoma, com
os seus Órgãos de Governo próprio, mas deve-se, sobretudo, ao sentido de
justiça e à visão do Doutor Alberto João Jardim, que hoje justamente
homenageamos. Noutros lugares e circunstâncias, sou testemunha do seu apego a esta ilha e da sua vontade e determinação em solucionar a questão secular e martirizante da falta de água, com a construção da dessalinizadora, um
projeto então pioneiro, e que perdura no tempo"
Para José Manuel Rodrigues "hoje, o Porto Santo vive um grande momento no seu turismo, com novas rotas e mais turistas, esbatendo a sazonalidade e criando emprego, e se novos empreendimentos são anunciados, prometendo fazer crescer a economia, isso assenta no investimento público que criou as condições para atrair investimento privado e novas empresas.
O Porto santo não é mais aquela terra esquecida, desconhecida dos
portugueses e dos europeus, ignorada pelos poderes públicos e pelos
investidores privados, que, um dia, vai ter futuro.
Não; esse futuro é já hoje, e estou certo de que os próximos anos serão anos dourados para as gentes desta ilha".
O presidente da Assembleia não foi ao Porto Santo só fazer elogios. Também fez alertas: "Estou certo de que a Câmara e o Governo Regional estão cientes de
que este boom turístico é muito bom, mas traz riscos e ameaças que
convém suster e afastar. A massificação, a falta de capacidade de resposta perante a procura, a ausência de recursos humanos, ou uma possível degradação da qualidade da oferta são riscos que temos de afastar para aproveitar esta redescoberta do Porto Santo, a que se assiste neste momento, e para crescer de forma sustentada e sustentável, sem afetar os ecossistemas ambiental e humano".
José Manuel Rodrigues diz que "este crescimento traz novas responsabilidades, mais custos e a
necessidade de mais investimentos por parte deste Município.
Os serviços públicos vão precisar de ser reforçados e há infraestruturas que vão necessitar de novos investimentos.
O Porto Santo vai ter de melhorar os seus pontos de atratividade e criar outros relacionados com a História da ilha, com as suas reservas marinhas, com a sua geologia, com a sua arquitetura tradicional, com a sua gastronomia, com a sua cultura e o seu património material e imaterial...O Porto Santo, sendo uma ilha com especificidades muito próprias, não pode ser tratado como mais
um Município pelo Estado português, que defendo que a República deve tratar de outra forma as autarquias deste concelho e as autarquias das ilhas
portuguesas.
O Orçamento do Estado tem de passar a ter em consideração a situação muito singular dos Municípios das ilhas, em particular deste concelho, que sofre de dupla insularidade, e dotá-los de outras
transferências financeiras, já que estes enfrentam problemas e custos bem
superiores aos dos concelhos do continente. É uma injustiça tratar de forma igual aquilo que é diferente".



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