"Jota" socialista encosta Cafôfo à parede; Olavo pede lugares e põe a fasquia lá em cima

O líder da JS Madeira vai esperar para ver até que ponto Cafôfo é sensível aos jovens. É coisa para se ver no congresso. Quanto às Autárquicas, é fasquia alta e não se fala mais nisso. Não sei se Cafôfo fica confortável

"Veremos qual o papel que será dado à JS e aos jovens da Juventude Socialista" no próximo congresso do partido, no decorrer deste mês. A declaração foi de Olavo Câmara, filho de Emanuel Câmara, presidente da Câmara Municipal do Porto Moniz e anterior presidente do PS-Madeira. "Cheirou" a recado para a atual liderança de Paulo Cafôfo, até porque a fasquia de Olavo como que "encosta Cafôfo à parede" ao avançar com "o PS tem de ganhar, o que representa mais câmaras, mais juntas e mais autarcas eleitos". Coisa pouca, está bom de ver, atendendo à concorrência e ao facto de haver, pelo meio, quatro câmaras que poderão manter-se como estão e nem chegar para o PSD nem para o PS, casos da Ribeira Brava, São Vicente, Santa Cruz e Santana, mesmo que o politicamente correto aconselhe a dizer que antes das eleições todos são vencedores, todos são derrotados. Há o realismo, mas isso não importa.
A Academia da Juventude Socialista ocorreu este fim de semana, no Porto Moniz, precisamente um bastião socialista, com uma afirmação clara da juventude socialista perante a liderança de Paulo Cafôfo. E o líder não fugiu ao repto, dizendo que "se o PS é o garante das transformações económicas e sociais da Madeira, a JS tem de ser o motor para que essas transformações e essas mudanças possam acontecer". Cafôfo defende um "contrato político com a JS e diz que os jovens não podem servir, apenas, para abanar bandeiras.
Parecendo em sintonia de posições, não deixa de ser curiosa a apreciação de Olavo Câmara relativamente ao congresso de 19 de setembro. Olha para o futuro e deixa Cafôfo com rédea curta face à inevitável integração de jovens nos orgãos dirigentes do futuro PS-Madeira, concretizando, no terreno, aquilo que defende no discurso.
Esta posição do jovem líder do PS-Madeira traz à colação a relevância que as "jotas" dos partidos já desempenharm, nas estruturas séniores, mas que nos últimos anos têm vindo a perder terreno face à inexistência de quadros em qualidade suficientes para um recrutamento mais notório nos respetivos orgãos. Tanto o PSD como o PS têm vindo a enfrentar dificuldades nas estruturas mais jovens, que acabam por perder peso na globalidade dospartidos e, por isso mesmo, surgem cada vez com menor influência na condução dos destinos partidários e, consequentemente, em orgãos de poder. No caso do PS, Olavo Câmara quer mudar esse enquadramento, exige mesmo que o líder olhe para dentro e dê respostas à juventude do partido, mesmo que os quadros possam, de algum modo, não ser tão enriquecedores como outrora.
As "jotas" devem exigir, com a sua irreverência, o espaço próprio nas estruturas dos partidos. Mas para isso, devem primeiro demonstrar, inequivocamente, uma maior preparação e uma maior afirmação, de qualidade coletiva e individual, como "bandeira" para a recolha de dividendos e com uma ambição que deve ir muito mais além do que lugares saídos de congressos. E essa é a parte que pode ser mais difícil.



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