Jovem espancada no Porto Santo; não chega para ver como isto está grave?

Atualizado: 28 de jul. de 2022
É preciso haver Autoridade. É preciso ver a Autoridade. É preciso saber o que faz a Autoridade. A Autoridade tem o dever de prestar contas à sociedade. Em nome de um bem chamado segurança.

A jovem foi transportada para o Funchal no avião C295 da Força Aérea atendendo aos graves ferimentos.
Já não é possível esconder a gravidade das situações ocorridas na noite madeirense. A segurança está em causa e é preciso dizê-lo com todas as letras por muito que as autoridades policiais digam o contrário ou se sintam no direito de não dar respostas relativamente a investigações em vigor e respetivos resultados, como de resto aconteceu em anos anteriores, com vandalismo e violência, que no momento dão brado mas depois vão caindo no esquecimento e ninguém fica a saber o que aconteceu aos prevaricadores, que não raras vezes têm na influência da retaguarda e a ajuda do álcool, e não só, faz o resto. Mas alguém sabe o resultado das investigações sobre os graves acontecimento de anos passados no Porto Santo. Houve punição? De quem? Foram pagos os prejuízos? É preciso que as entidades policiais prestem contas aos cidadãos por forma a que estes sintam que há autoridade, que a existir eleva o grau de segurança, além de que qualquer consequência previne, desde logo, eventuais encorajamentos futuros, de comportamentos destes, impulsionados pela impunidade.
Vem isto a propósito, também, de um caso grave relatado a 24 de julho, de uma jovem de 20 anos que foi barbaramente agredida junto a uma discoteca no Porto Santo. Os ferimentos foram de tal ordem que houve necessidade de transportar para o Hospital Dr. Nélio Mendonça onde deu entrada em estado crítico. Não se sabe a evolução, também não se sabe como está a decorrer a investigação, as informações conhecidas dizem que ainda não há detidos, e se assim é revela-se preocupante atendendo ao número de pessoas na ilha e à possibilidade de andarem livremente a agredir, até desta forma bárbara, num curto espaço de território sem a correspondente celeridade das investigações, mesmo que admitindo algum recato destas para salvaguardar a eficácia na deteção do autor ou autores dessas agressões.
A vítima foi inicialmente assistida no local, mas a gravidade dos ferimentos obrigou a mobilizar um avião C295 da Força Aérea, relatam os jornais. Depois, silêncio, até hoje.
É importante que, neste contexto, não se coloque de fora quem tem responsabilidades no que se passou, nos últimos anos, e no que se está a passar este ano, sendo que a retoma das festas e da noite, juntamente com um turismo mais jovem, apenas amplificaram o que já era visível. Há vários culpados. Todos devem assumir o seu papel pedagógico na formação e na educação dos jovens, mas é importante que a pedagogia não se eternize e não se perca nos caminhos da tolerância frágil, que normalmente substitui a mão firme para casos em que essa firmeza é determinante. Não é esta a sociedade que queremos, não com isto que vamos construir o futuro que nos serve, mas um futuro que de melhor terá pouco a continuarmos com este "varrer para debaixo" do tapete uma questão que já merece "vassourada" a sério de quem educa e de quem manda. Os conceitos de liberdade e de responsabilidade não têm idade. E é preciso que as autoridades façam o seu papel e não deixem cair no esquecimento situações graves. E no caso da jovem, os desejos vão todos, óbviamente, para a recuperação sem sequelas. O que não reduz, em nada, a necessidade de haver consequências.
É preciso haver Autoridade. É preciso ver a Autoridade. É preciso saber o que faz a Autoridade. A Autoridade tem o dever de prestar contas à sociedade. Em nome de um bem chamado segurança.



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