"Laranjas" fulos com "governo sombra" de José Manuel Rodrigues

E Rodrigues está a mostrar trabalho, certamente com alguma estratégia política pelo meio, capaz de não fazer a vida fácil a quem vier a seguir. Além do protagonismo que vai ganhando.


Não é novidade para ninguém que José Manuel Rodrigues assumiu a liderança do Parlamento Madeirense, por força da negociação com o CDS para viabilizar um Governo com o PSD, para passar à prática o que está constitucionalmente consagrado para o principal órgão de Governo Próprio da Região. Deixou de ser uma espécie de "Rainha de Inglaterra" para passar a ser o que deve ser, com visibilidade, com intervenção, abrindo as portas à sociedade e enviando, não raras vezes, recados ao Governo em matérias sensíveis, designadamente as questões sociais.
Mas é evidente que esta forma de liderar o Parlamento, a que a Madeira não estava habituada, tem colocado algumas reticências junto do PSD, que na estrutura parlamentar tem dois vice presidentes, José Prada e Rubina Leal, que muitos consideram bastante secundarizados pelo presidente, que apenas deixa a representação para eventos de menor dimensão, importantes mas menos visíveis.
Mas além de a Assembleia ter hoje uma agenda cheia, com diversidade de iniciativas e com a Cultura a ter um papel importante, aquilo que imcomoda mesmo alguns setores "laranja" é a espécie de "governo sombra" que José Manuel Rodrigues vem apresentando, com uma afirmação pública de relevo e com uma autonomia que para muitos será difícil de controlar no final dos quatro anos, atendendo ao ritmo diário em que oma Assembleia surge na comunicação social.
Mas o que irritou mesmo foi a recente visita do presidente da Assembleia Regional dos Açores, uma visita organozada pela Assembleia e que José Manuel Rodrigues preparou bem, ao pormenor, não só do ponto de vista político como empresarial. Desde o encontro na Quinta Vigia, passando pela visita a obras de relevo, como o novo Hospital, ou a empresas nevrálgicas como do grupo Sousa, a Gás Link, e do grupo Blandy, como a Madeira Wine. Uma organização envolvente, a mexer com o Governo num contexto em que Rodrigues aparece como o mentor da iniciativa, ainda por cima com um ponto chave na agenda, a confluência de interesses das Regiões Autónomas em matéria de defesaa destas junto do Governo da República. Uma oportunidade que o presidente da ALRAM não perdeu para ganhar peso global nas negociações.
A verdade é que numa altura em que se fala no eventual debate sobre o futuro da coligação PSD/CDS depois de 2023, ano de eleições regionais, a ação de José Manuel Rodrigues dá nas vistas. Com um estatuto próprio e com autonomia financeira, o presidente do CDS está a provocar uma autêntica "revolução" na forma de ação política do Parlamento, o que antes não constituía qualquer problema para os governos na medida em que as figuras eram relegadas, ou deixavam-se relegar, para um patamar secundário, dando primazia ao presidente do Governo.
Hoje não é assim. E Rodrigues está a mostrar trabalho, certamente com alguma estratégia política pelo meio, capaz de não fazer a vida fácil a quem vier a seguir. Além do protagonismo que vai ganhando.
Cuidado, dizem algumas figuras do PSD Madeira, que já olham mais para a frente.



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