Luís Miguel Sousa desapontado com o ausente presente Sérgio Marques

Como se esperava, nem houve pressões nem favorecimentos mas uma das grandes revelações do empresário foi sobre os media: ajudou a publicação online Funchal Notícias, ajudou o Blandy com 40% do Diário que é bom mas ninguém queria comprar, e recusou proposta de Sérgio Marques para comprar o JM.

A audição ao empresário madeirense Luís Miguel Sousa, em sede de comissão parlamentar de inquérito às declarações do antigo secretário regional Sérgio Marques, no sentido de ter havido favorecimento por parte do Governo aos grandes grupos, além de obras "inventadas", decorreu como se esperava mas com alguma dispersão relativamente ao objeto em discussão. Sem Sérgio Marques presente, o que é estranho, e com pouca conversa sobre Sérgio Marques, o que também foi estranho. E num dos momentos em que o empresário ia falar mais de Sérgio, os deputados interromperam e o raciocínio já não foi retomado no mesmo pé. Se era para esclarecer, este primeiro dia de audição quase não saiu da partida. Mas valeu por outras declarações.
Mesmo assim, Luís Miguel Sousa assumiu a sua desilusão pelas suspeições de Sérgio Marques e até achou estranho que o antigo secretário regional não fosse ouvido em comissão. Sem falar muito, deixou alguma "insinuação" sobre uma eventual falta de pontualidade de Sérgio Marques no grupo Sousa ou em supostas verbas de viagens não feitas aquando da passagem por Bruxelas, deixando uma interrogação sobre se isso é ser "impoluto".
Falou-se mais da OPM do que de Sérgio Marques, mais do contrato portuário do que de obras, da disparidade do Governo entre a concessão e o licenciamento dessa operação e o processo em tribunal que o grupo Sousa interpôs para contrariar a intenção do Governo de alterar o regime. Luís Miguel Sousa disse o que se esperava, que nunca foi favorecido e que só fala de contratos com os secretários da tutela, não com os presidentes do Governo, aconteceu com Jardim, acontece com Albuquerque.
De resto, deixa no ar problemas da pequenez do mercado, da falta de escala, para contrariar favorecimentos e monopólios, que diz não existirem em mercado aberto. E aplica-se a tudo. No porto do Caniçal, cuja operação funciona dia e meio por semana, mantendo os custos de máquinas e pessoal, da ligação ao Porto Santo que é um destino sazonal, mas também do ferry de ligação ao continente, sem qualquer viabilidade se não existirem indemnizações compensatórias. Sem estas, é prejuízo pela certa fazer a 30 euros viagens que deviam custar 400/500.
Mas uma das grandes revelações prendeu-se com a comunicação social, onde o grupo Sousa tem forte participação. O empresário descola-se de qualquer exercício de influência na informação madeirense, tem participação de 40% no Diário porque o Blandy queria vender tudo e Luís Miguel Sousa disse que entrava no capital se o Blandy se mantivesse. O Diário é bom mas ninguém queria comprar, mais um problema de escala. E assim foi, Blandy com 12%, Avelino Farinha com 36.7% e Grupo Sousa com 40%. Mas nada de interferência, é um leitor como sempre e não dá indicações aos jornalistas. E o Blandy tem uma cláusula no contrato que lhe permite sair cinco anos depois sem ser necessária qualquer autorização dos restantes acionistas.
Surpresa foi também ter assumido uma ajuda de lançamento ao jornal online Funchal Notícias, querendo com isso explicar ser de longe a sua participação nos media, além da Rádio Praia no Porto Santo.
Com o JM, não quer nada. O antigo secretário Sérgio Marques, que agora se "virou" contra o grupo a falar de pressões e conluios empresariais, foi ter com Luís Miguel para que este comprasse o JM no âmbito do processo que Sérgio "cozinhou" com a Igreja para vender o matutino por meia dúzia de euros, dizem que 10 mil, o que acabou por ser assumido pelo grupo de Avelino Farinha e pela ACIN.
Como se vê, Luís Miguel Sousa não falou muito de Sérgio mas fez algumas declarações curiosas e interessantes do ponto de vista da relação dos media com o mundo empresarial.



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