Manuel António "lançado" no Funchal sem saber; Cristina Pedra é hipótese

Pedro Coelho foi uma "transferência" em cima da mesa mas não é opção de Albuquerque

As eleições autárquicas de 2021 já estão a provocar alguns danos, ainda que ténues nesta altura, nas estruturas dos dois partidos da governação regional, PSD e CDS. Os líderes, Miguel Albuquerque e Rui Barreto, respetivamente, querem a transposição do entendimento governativo regional para o poder local. As bases nem por isso, sobretudo as do PSD, que neste particular têm mais a perder e que defendem acordos pontuais e sempre condicionados à garantia de manter a identidade social democrata nos respetivos concelhos, o que em coligação, dizem, não será possível, sendo mais ou menos como o PSD dar dimensão autárquica que o CDS não tem, exceção feita a Santana.
Não há dúvida que o PSD Madeira assume que não pode continuar a perder poder nas estruturas locais, um processo que levou a escolhas diferentes em Funchal, Machico, Ponta do Sol, Santana, Santa Cruz, Porto Moniz, Ribeira Brava e São Vicente, quando em tempos houve uma hegemonia maior do partido, que conseguiu segurar Câmara de Lobos, Calheta e Porto Santo. E por isso, o cenário mais viável será o de coligação, até porque o eleitorado, não só aqui, está a retirar as maiorias absolutas e a distribuir, como diz o povo, “os ovos por vários cestos”, além de que em alguns concelhos, os eleitores poderão estar menos motivados para fazer regressas as lideranças do PSD.
Os nomes são vários e há concelhos particularmente sensíveis para Miguel Albuquerque, sendo o caso do Funchal o expoente máximo, onde o partido perdeu para Paulo Cafôfo e nunca mais conseguiu recuperar. Agora contra Miguel Gouveia, as estruturas “laranja” andam a testar o terreno para ver se conseguem uma figura de consenso, o que não é nada fácil atendendo às diferentes tendências que já colocaram em cima da mesa vários nomes.
Sabe-se que o nome de Manuel António, secretário do Ambiente no Governo de Jardim e que chegou a ser candidato à liderança social democrata, perdendo para Albuquerque, foi lançado, através do JM, para ver a reação do eleitorado e das bases, numa perspetiva de confiança e credibilidade. Mas essa indicação, segundo apurámos, não resultou de qualquer contacto de figuras de topo do partido com o próprio Manuel António, que terá ficado surpreendido quando viu essa realidade colocada nos jornais.
Sabe-se que outras alternativas estão colocadas para o Funchal, mas não geram consensos. Por um lado, há uma fação que defende Pedro Coelho, uma figura que não cai muito bem nas ideias de Miguel Albuquerque, que prefere mantê-lo em Câmara de Lobos e à margem de outros protagonismos, consciente que o autarca pode constituir, futuramente, uma opção de relevo dentro do partido. Surge, também, o nome de Cristina Pedra, que liderou a ACIF e que tem surgido, nos últimos tempos, nos meios próximos do partido, tendo construído um trajeto que pode constituir uma mais valia para esta luta no Funchal, mesmo que o PSD saiba que seja qual for o candidato será dificil o duelo para recuperar a governação da cidade.
Nestas eleições autárquicas, o PSD está numa posição complexa, como esteve nas últimas, onde perdeu Ponta do Sol mas ganhou Porto Santo. Certas parecem estar as Câmaras de Câmara de Lobos, Calheta e Porto Santo, além dos apoios praticamente assentes às atuais lideranças na Ribeira Brava e em São Vicente, na falta de projeto próprio e face à preponderância que tanto Ricardo Nascimento como José António Garcês têm nos respetivos concelhos.



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