Marcelo defende abstenção do PSD se não for possível acordo à esquerda para apoiar Orçamento

Presidente da República avisa que o País não pode juntar uma crise política às crises pandémica e económica. "Eu, por muito menos, sendo líder da oposição, viabilizei três orçamentos de António Guterres. Com o meu partido a protestar"

O Presidente da República está muito preocupado com a eventualidade de uma crise política provocada por falta de acordo na aprovação do Orçamento de Estado. Primeiro, porque há crise pandémica e, por via disso, crise económica. Depois, porque o Presidente da República fica sem espaço de manobra e sem tempo para intervir, devido às eleições e aos prazos que impedem a dissolução do Parlamento. O País iria esperar muito tempo e juntava uma crise política ao resto, seria dramático.
Por isso, Marcelo avisa o País e os partidos, defendendo que o mais normal era o Orçamento passar com uma maioria de esquerda, mas se isso não for possível lança o apelo ao PSD para, no limite, ter em conta a responsabilidade de Estado e abster-se, viabilizando assim o OE de esquerda sendo partido do centro direita. "Eu, por muito menos, sendo líder da oposição, viabilizei três orçamentos de António Guterres. Com o meu partido a protestar". O partido de Marcelo, claro está, é o PSD. E com este exemplo, Marcelo está, de certa forma, a enviar uma indireta/direta a Rui Rio, o atual líder social democrata. E diz mais: "Seja pelo interesse do País, depois deveremos o próximo Orçamento. A oposição que pensa ser governo tem responsabilidades, que diabo, temos um caminho importante e difícil. Os militantes que fiquem um pouco tristes, mas o interesse nacional justifica a abstenção".
Relativamente às consequências da pandemia, nos próximos tempos, Marcelo diz que tudo é muito imprevisível, um comentário feito no dia em que o País registou, em 24 horas, mais 899 novos casos de infeção por Covid-19. "É importante que as pessoas façam aquilo que lhes compete, fazer tudo para prevenir e atuar responsavalmente. Os portugueses precisam de equilibrar a sua vida pessoal, a sua vida escolar, a sau vida profissional. Vamos ver o que se passa. No que depender de mim, o que for necessário será feito".
As declarações de Marcelo surgem, também, num contexto em que foi divulgado o défice até agosto, que se agravou 6.552 milhões de euros, com a receita a baixar 6,6% e a despesa a aumentar 4,9%.



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