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  • Henrique Correia

Marcelo e Costa num "bola vai, bola vem" sobre o (des) confinamento


Marcelo em Budapeste: Por definição, o Presidente nunca é desautorizado pelo primeiro-ministro".


Foto Expresso


Não é bonito mas está a acontecer um "bola vai, bola vem" entre o Presidente da República e o Primeiro-ministro sobre a eventualidade de um voltar atrás nas medidas de contenção à Covid-19.

Só para lembrar, Marcelo Rebelo de Sousa, o Chefe de Estado, a figura número um da Nação, disse que, naquilo que depender dele não vai haver volta atrás no desconfinamento. Costa, o número três da hierarquia do Estado, respondeu dizendo que nem mesmo o Presidente da República poderia dar essas garantias, o que do ponto de vista da pandemia e da Saúde, até pode ser verdade se a situação eventualmente vier a piorar. Mas já esta segunda-feira, na Hungria, onde terça-feira assiste ao Hungria-Portugal, Marcelo respondeu: "Por definição, o Presidente nunca é desautorizado pelo primeiro-ministro. Quem nomeia o primeiro-ministro é o Presidente, não é o primeiro-ministro que nomeia o Presidente".

Claro que as questões não podem ser colocadas, assim, de forma simplista, mas não havia necessidade deste episódio de ver quem manda mais. O Presidente disse que voltar atrás, não, como mera intenção de tudo fazer para andar para a frente, sendo óbvio que a responsabilidade de Marcelo é de tal ordem que seria certamente ele próprio a voltar atrás se a situação ficasse, de novo, fora de controlo, respeitando as avaliações da Autoridade de Saúde.

O primeiro-ministro respondeu com um óbvio sentido que ninguém pode garantir uma situação que, objetivamente, depende da evolução de uma pandemia e não de um decreto qualquer.

É preciso que, neste momento em que estamos a caminhar para uma retoma alargada e precisamos de confiança, não sejam as principais figuras do Estado a serem protagonistas de uma instabilidade verbal, assim definida, no mínimo.

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