Marcelo fala ao País e 30 de janeiro era data de menor tensão para as eleições

A surpresa foi Cavaco Silva, que não só defendeu que as eleições antecipadas exigem tempo, como defendeu que só devem ocorrer em finais de fevereiro. Cavaco alinhou pelos argumentos de Rangel.

O Presidente da República fala hoje ao País, pelas 20 horas, o horário nobre de abertura dos telejornais, para anunciar a dissolução da Assembleia da República e a convocação das eleições legislativas antecipadas, adiantando a data para essa consulta popular.
Marcelo já tem em mãos o que pensam os partidos e o que pensam os membros do Conselho de Estado, a maioria pela dissolução e apenas dois contra designadamente Francisco Louça e Domingos Abrantes.
Segundo avança o Expresso online, a data de 30 de janeiro seria aquela que iria gerar menor tensão face ao cenário defendido pelos partidos, dois deles, CDS e PSD, a braços com processos eleitorais internos, o que à partida garante pouco espaço de manobra para elegerem os líderes e estes entrarem logo numa votação ao País quase sem tempo para darem a conhecer ao que vão, sendo que essa indefinição pode ser favorável ao PS, que apesar do desgaste, seria visto como a solução menos incerta.
O Expresso relata que "no discurso que fará ao país, Marcelo Rebelo de Sousa explicará as suasrazões e, relativamente ao Governo, poderá sinalizar algumas balizas em
termos de iniciativa governativa a partir do momento em que o Parlamento ficar dissolvido. Além de não poder legislar em matérias que dependam da Assembleia da República, Marcelo quererá deixar claro que uma vez aberto o processo eleitoral há níveis de contenção política governativa que devem ser respeitados".
O mesmo jornal, remetendo para fontes bem colocadas, referiu-se ao conselho de Estado: "Rui Rio insistiu que as eleições devem ser rápidas, alegando o interesse nacional. E o segundo nome que saiu em defesa de pressa nos prazos
eleitorais foi o comunista Domingos Abrantes. Carlos César, presidente do
PS, concordou que não se deve perder tempo, embora, relataram ao Expresso, sem carregar excessivamente na questão. E a surpresa foi Cavaco Silva, que não só defendeu que as eleições antecipadas exigem tempo, como defendeu que só devem ocorrer em finais de fevereiro.
O ex-Presidente da República alinhou, assim, com os argumentos de Paulo
Rangel, o candidato à liderança do PSD contra Rui Rio, e chegou mesmo a dar o exemplo do que se passou consigo quando era primeiro-ministro em 1985 e o Parlamento foi dissolvido, para mostrar que os prazos não têm que ser limitados".



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