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Miguel de Sousa diz que José Manuel Rodrigues fez uma 'golpada sem igual"

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
7 de out. de 2022
3 min de leitura

Crítico de Rodrigues lider do Parlamento, o antigo vice da Assembleia e do Governo compara com os Açores: "Só assim não é na Madeira por força de chantagem do "chefe" ocupante".




Quem fizer confusão no PSD-Madeira, vai para o olho da rua. Foi esta a mensagem que Miguel Albuquerque deixou ao partido com o congresso da JSD a servir de intermediário neste "recado musculado" bem a par do estilo jardinista que o próprio Albuquerque entranhou e depois estranhou.

O que não se sabe é qual o nível de entendimento sobre o que é confusão para o líder social democrata, se é questionar a coligação com o CDS, contestada internamente, por enquanto em corredores, se é criar qualquer situação que possa gerar incómodo neste acordo para 2023, entendendo-se incómodo como qualquer ofensiva crítica, quer de um lado, quer de outro, havendo um "acordo de cavalheiros" para parar com as hostilidades. Se é assim, o artigo de Miguel de Sousa, no Diário, que não traduz apenas a opinião do próprio mas de muitos militantes, pode configurar uma "confusão" das grandes, vá lá, pelo menos das médias por não vir de alguém de primeira linha do PSD-M. Mas que é incisivo, lá isso é.

No artigo, poucos dias depois do aviso de Albuquerque, Miguel de Sousa insiste em desancar, forte, no presidente da Assembleia Regional, que como se sabe é José Manuel Rodrigues, presidente do CDS Madeira, no cargo parlamentar por negociação da última coligação governamental. Miguel de Sousa acha que o PSD deveria ter a presidência do Parlamento, sendo que desta vez compara com o que se passa nos Açores, onde o PSD tem a presidência da Assembleia apesar da coligação. "Só assim não é na Madeira por força de chantagem do "chefe" ocupante". Uma declaração "mortífera" do ponto de vista político vinda de uma figura pública ligada ao PSD, precisamente o partido parceiro do "chefe ocupante".

Escreve Miguel de Sousa: ouvi incrédulo José Manuel Rodrigues afirmar na RTP Madeira, com aquele novo ar e voz celestial, que adorou ter chegado a presidente do Parlamento por vontade do povo madeirense. Mentira descarada pois todos sabem a chantagem partidária que esteve na origem de tal auto-proclamação. Uma golpada sem igual na curta democracia regional. Mentiu porque o presidente da Assembleia não é eleito pelo povo mas sim pelos deputados. Quem garantiu a sua nomeação foram os deputados do PSD, ele próprio e dois deputados do CDS".

Mas Miguel de Sousa estranhou outros dois factos: o convite a Augusto Santos Silva, o atual presidente da Assembleia da República, bem como a aprovação do PSD a essa visita sabendo-se o que disse de Jardim no passado. Miguel de Sousa espera que o fim das férias resolva atitudes pessoais e fala que toda a gente tem passado pela Assembleia Regional. "É um rodopio de vaidade pessoal, tudo aprovado pelo grupo parlamentar social democrata".

O que não escreve, talvez para não criar confusão, é que Miguel Albuquerque recebeu Augusto Santos Silva na Quinta Vigia, com cordialidade institucional mas com elogios públicos de "conversa franca" a um crítico tão feroz do jardinista que o próprio Albuquerque ajudou a alimentar e a crescer até ao corte final. Como de resto, também Miguel Sousa já andou, conjunturalmente, por "terrenos" que eram de Jardim e outros que eram contra Jardim.

A Política tem muito que se lhe diga. E pensando melhor, este texto de Miguel de Sousa até pode deixar Albuquerque com um ar de felicidade. Estas coisas às vezes dão jeito.

 
 
 

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