"Na Madeira ainda se estranha que alguém escreva sem aliança ou interesse ulterior"

A declaração é do articulista Pedro Fontes, hoje no Diário, que anuncia a despedida destes escritos e põe o "dedo na ferida" que não se vê.

"Na Madeira ainda se estranha que alguém escreva sem aliança ou interesse ulterior. A opinião pública não se coloca ao serviço de ideias, mas de grupos. Daí que os cronistas da imprensa regional correspondam, na prática, a militantes de partidos, e essa seja a expectativa do leitor. É natural. As pessoas precisam de estereótipos".
Esta é uma parte, muito importante, de um escrito de Pedro Fontes, articulista do Diário, que anuncia o seu último artigo e nele coloca o "dedo na ferida" sobre o leque de articulistas da imprensa, bem como aquela que é a reação de uma sociedade pequena, o de todos se conhecem, onde não é tão reduzida como se pensa a manipulação de cadeias familiares, de amizade, suscitando tantas vezes uma ambiência de omissão para que os emissores, talvez emissários, possam monopolizar, na maior parte das vezes, opiniões encomendadas, tantas vezes criticadas em tempos idos, mas agora diminadoras como nunca, impedindo resgatar a opinião pública dos "tentáculos" interesseiros de alguma opinião publicada e muitas vezes escolhida nas fileiras dos partidos para um serviço à vista nos chamados órgãos de referência, aqueles que se afirma serem regulados.
Pedro Fontes parece dizer que tem mais que faça do que escrever para quem só quer perceber o pré concebido. Não escreve isso, mas também não esconde uma certa desilusão. Mas escreve o suficiente para percebermos a ideia clara que quer transmitir: "Estes anos de opinião trouxeram dissabores, bocas e afastamentos, próprios de uma sociedade pequena e atravessada por lealdades complexas e por vezes contraditórias- a família, os amigos, o trabalho, a política, a vida associativa. Cumpre por isso relativizar. Tanto rufias como aduladores têm a sua circunstância".
Este artigo de Pedro Fontes diz o que escreve e diz mais do que não escreve mas que quem está por dentro do meio sabe que é esta verdade absoluta de um modelo de comunicação em que as melhores referências sejam de grupos. As chamadas referências "deles", sejam eles quais forem, desde que influentes.
Mas que artigo de opinião. Pena que seja o último.



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