Nuno Morna afasta-se da Iniciativa Liberal
- Henrique Correia

- 10 de abr.
- 2 min de leitura
"A partir deste momento considero-me formal e politicamente desvinculado da Iniciativa".

"Afasto-me porque a náusea também é uma forma de lucidez. Não saio por exaustão sentimental, não saio por capricho adolescente, não saio por despeito, que é o refúgio favorito dos medíocres quando já não sabem explicar a saída dos outros. Saio porque comecei a olhar para dentro e a ver uma coisa que reconhecia cada vez menos: uma espécie de caricatura de partido liberal, habitado por algumas figuras que confundem projecto político com escadote pessoal e imaginam a lealdade como submissão, a crítica como traição e a frontalidade como inconveniência".
Foi assim que o antigo deputado da IL na Assembleia Regional, Nuno Morna, deu conta da sua saída de militância do partido por não se rever na forma como a IL está a ser conduzida.
O ex-parlamentar único da IL, que deu peso ao partido na Região, revela numa exposição enviada à comunicação social: "Cheguei, portanto, à minha paragem. E digo paragem no sentido exacto: um ponto em que se percebe que continuar seria trair-se. Não tenho paciência para dramatizações nem gosto dessa pornografia emocional da política, em que se sai a chorar para ver se o público aplaude a lágrima. Saio sem teatro, mas não em silêncio moral. Saio a dizer o que penso porque sempre foi assim que estive na política e porque o hábito de calar para agradar nunca me seduziu. Prefiro a solidão limpa à companhia contaminada. Prefiro estar fora de uma estrutura, a tempo de me conservar inteiro, do que ficar lá dentro, a apodrecer lentamente, em nome da disciplina, da conveniência ou da esperança pueril de que um dia os medíocres acordam melhores. Não acordam. Organizam-se".
"A partir deste momento considero-me formal e politicamente desvinculado da Iniciativa Liberal. Faço-o sem ressentimento, porque o ressentimento é uma forma de dependência, e eu quero justamente o contrário. Faço-o sem necessidade de lavar roupa suja em praça pública, o que sempre evitei, embora matéria-prima não faltasse, porque há espectáculos degradantes que devem ficar reservados aos que ainda sentem prazer em viver neles. Faço-o com a serenidade de quem sabe o que deu, o que fez e o que suportou. Levo comigo o trabalho, a entrega, a memória e a consciência tranquila".
Nuno Morna promete: "Continuarei a pensar, a escrever, a intervir e a discordar, fora de partidos ou dentro, se e quando o entender, porque a minha fidelidade nunca foi aos aparelhos, foi sempre à liberdade. E essa, ao contrário de certas criaturas que hoje por lá se pavoneiam, não depende de convite, nem de pose, nem de bênção, nem do olhar aprovador dos novos proprietários da coisa, esses administradores do vazio que chegaram tarde, chegaram mal e, como quase sempre sucede, chegaram a tempo de estragar".



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