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Não à Madeira refúgio para quem tem dinheiro e gueto para quem não tem

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
1 de jul. de 2022
3 min de leitura

José Manuel Rodrigues recusa que a Região se transforme em refúgio, "qual resort, onde quem tem muito dinheiro se sente bem e seguro, e depois uma ilha gueto, onde os naturais não conseguem acompanhar o aumento do custo de vida, nem conseguem aceder a bens essenciais como uma habitação".




O "grito de alerta" em Dia da Região, com a Autonomia como grande conquista mas ainda por aprofundar, veio da Assembleia Regional e do seu líder, José Manuel Rodrigues, presidente do CDS e figura que tem estado no centro da "guerra fria" política na coligação face ao protagonismo do Parlamento relativamente ao Governo. O alerta do 1 do julho atende à conjuntura de dificuldades e faz o responsável máximo da Assembleia marcar pontos, mais uns, nos avisos ao Governo: "Não podemos deixar empobrecer a classe média nem esquecer que esta é a base de qualquer sociedade, e é a garante da estabilidade social, condição primeira para o investimento, o crescimento e o desenvolvimento".

Para Rodrigues "o grande desafio que está colocado à governação regional é saber como conciliar este crescimento, absolutamente surpreendente e positivo, do turismo, do imobiliário e do digital, com a manutenção, imperiosa e justa, do poder de compra e da qualidade de vida dos madeirenses. Não queremos uma ilha refúgio, qual resort, onde quem tem muito dinheiro se sente bem e seguro, e depois uma ilha gueto, onde os naturais não conseguem acompanhar o aumento do custo de vida, nem conseguem aceder a bens essenciais como uma habitação, sentindo-se estranhos na sua própria terra".

O presidente da ALRAM diz, no entanto, que "temos condições para ultrapassar este problema, se atuarmos na redução dos impostos sobre o trabalho, como tem vindo a ser feito na Região, e deve ser prosseguido nos próximos anos, se avançarmos para um mercado laboral com salários indexados à produtividade e ao crescimento dos diversos setores económicos e se aumentarmos as reformas mais baixas. Não podemos continuar a ser um país de salários mínimos e de pensões de miséria! Não podemos ter milhares de pessoas que trabalham e o ordenado que ganham não ser suficiente para pagar as suas despesas mensais, remetendo-as para as estatísticas da pobreza, e pior, condenando-as à insuficiência económica. Quem trabalha não pode ser pobre".O presidente da Assembleia Regional disse ainda, no âmbito da sessão solene do Dia da Região, que "há uma crescente desresponsabilização do Estado no apoio aos portugueses das ilhas", apontando o exemplo das transferências: "Há dez anos, os valores das transferências da República para as Regiões Autónomas representavam 0.73 por cento do total das despesas do Orçamento do Estado. Hoje, representam apenas 0.64 por cento, apesar das despesas do Estado subirem todos os anos".

José Manuel Rodrigues diz que "não podemos adiar mais a revisão do modelo de financiamento das Autonomias. É certo que temos eleições legislativas regionais no próximo ano, mas esse não deve ser um fator impeditivo para essa revisão, deve ser mesmo um fator impulsionador para lutar por essa nova Lei, pois essa é uma exigência dos cidadãos que elegeram todos os deputados deste Parlamento.

Se assim não quiser a República, não devemos desistir, já que, então, é dever dessa mesma República transferir para a Região os poderes e as competências para podermos ter um sistema fiscal que atraia capital e investimento externo e que gere receitas suficientes para custear a nossa despesa pública e o nosso desenvolvimento".

Para o presidente do Parlamento Madeirense "a defesa de mais Autonomia não pode ser apenas uma coisa de políticos; tem de ser uma luta que envolva todo o nosso povo - tal como aconteceu no passado - até para que o Terreiro do Paço saiba que, deste lado, está um povo que não se resigna ao centralismo nem se verga  aos centralistas".



 
 
 

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