O (difícil) desafio de ter uma TAP mais pequena com um serviço grande

O ministro promete reestruturação de uma companhia que deve ter responsabilidades de Estado. Com as Regiões e com as comunidades portuguesas

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, foi claro quanto ao futuro da TAP: "O nível de incerteza é brutal e as decisões devem ser cuidadas, há muito de incerto neste momento. Mas o que não é incerto é que a TAP está sobredimensionada para a realidade que nós enfrentamos. Vamos reduzir a empresa, torná-la mais viável". Quanto à saída do presidente, Antonoaldo Neves, que já foi considerado o "salvador" da companhia, o ministro diz que já deveria ter acontecido mais cedo. Mais claro que isto, não há. O gestor brasileiro passou, assim, à "história" deixando mais um episódio déficitário da TAP.
Estas declarações do governante deixam algumas interrogações relativamente ao futuro, num contexto de pandemia em que todas as companhias de aviação, no mundo, sofreram consequências da crise, algumas delas irreparáveis, com perdas de mercado, prejuízos acumulados aos que já existiam na gestão operacional normal, levando a um outro problema, grave, primeiro o "lay off", depois a dispensa de funcionários, a começar naturalmente pelos que não se encontram vinculados aos quadros. E a seguir são os outros por via dessa redução que o Governo quer imprimir.
Mas em todo este processo que a TAP irá desenvolver nos próximos tempos, é importante termos em conta algumas questões. Efetivamente, a companhia deve ser bem gerida, disso não restam dúvidas. Deve operar em destinos rentáveis, deve ter uma gestão equilibrada mesmo sendo do Estado, o que como se sabe não é fácil, mas simultaneamente deve ter em conta alguns aspetos da sua operacionalidade, que tem a ver com a própria responsabilidade do Estado relativamente aos mercados que, ainda que sejam menos rentáveis, são importantes do ponto de vista da continuidade territorial, falando das Regiões Autónomas, e dos compromissos que o Estado deve ter para com as suas comunidades de emigrantes. E logo aqui, colocam-se alguns problemas. A TAP deve ser dimensionada para a realidade do mercado, é um facto. Mas deve, também, ter uma postura de gestão, em relação aos seus compromissos de Estado, que por vezes não são compatíveis com o economicismo que vise exclusivamente o lucro.
Não será fácil, com todos estes contornos de responsabilidades públicas de uma empresa que se quer gerida de forma equilibrada, tornar a TAP pequena com serviço grande. Será preciso engenho e muita arte.



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