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  • Henrique Correia

O distanciamento pouco distante...

Dentro e fora dos transportes públicos, nas filas de prestação de serviços, os ajuntamentos não têm conta. Se isto não é um risco...

Fotos Raimundo Quintal

Foto obtida hoje na Avenida do Mar. A imagem foi captada num "instantâneo" que não expressa, de todo, a real dimensão do que ali foi possível observar ao final da tarde Foto DR


Não é a Festa do Avante, não é o Santuário de Fátima, não é o Campo Pequeno com uma tourada que dizem ser à portuguesa, não é na noite madeirense, protagonizada pelos jovens nos copos e pertinho uns dos outros, que irrita, e bem, o nosso presidente do Governo Regional, não é num rali, não é nada disso. É simples, é pura e simplesmente à luz do dia, nas paragens de autocarro, no Funchal, ao final da tarde, com gente em cima de gente, a dois, três centímetros, se tanto, de distância, que depois se transporta para o interior dos autocarros, como bem documenta uma observação do professor Raimundo Quintal, hoje na sua página do Facebook, publicando imagens bem elucidativas e com uma mensagem ainda mais clara, assim com maiúsculas e tudo: "DISTÂNCIA SOCIAL NOS AUTOCARROS DOS HORÁRIOS DO FUNCHAL; Carreira 36 - 15.05 - Palheiro Ferreiro. O Senhor Presidente do Governo Regional tem conhecimento?" Claro que tem, mas o que pode fazer se não for ficar agastado e sensibililizar a insensibilidade? E também a falta de condições para evitar esses ajuntamentos.

O que é isso de distanciamento em contexto Covid-19?. Uma sugestão, uma recomendação com base nas autoridades de saúde, uma hipocrisia para sermos mais realistas por aquilo que nos é dado ver? Tanto lá, no continente, como cá, na Região, é utópico pensar que é possível cumprir, seja onde for, uma distância de dois metros entre as pessoas. Não acontece nas filas dos serviços públicos, não acontece nas escolas, não acontece nos transportes públicos. Não acontece e ponto. Não acontece e, pelo que se vê, não pode acontecer mesmo por muito boa vontade que haja no cumprimento. Nem as empresas de autocarros, no caso da Região, nem de metro, combóio e outros transportes, no continente, estão preparadas para isso. Da mesma forma que as salas de aula não alargaram, as escolas não esticaram ao ponto de mudar grande coisa para permitir essa distância quase impossível de cumprir. E quem manda não sabe disto? Não vive neste mundo, não vê o dia a dia? Então, qual a surpresa se não é exequível uma das principais recomendações a seguir ao uso das máscaras, que já é o que é? Um assunto para reflexão.

A observação que Raimundo Quintal coloca na sua página do facebook, é facilmente constatável no dia a dia. Ainda hoje, ao final da tarde, na Avenida do Mar e nas paragens junto à GNR, era um caos. Um ajuntamento gigantesco, no passeio junto aos edifícios, no passeio mesmo na frente das paragens, pessoas em cima de pessoas, sem qualquer distância, ainda que usando máscara na generalidade.

Só de ver arrepiava, se atendermos a que as recomendações das entidades de saúde estão mesmo corretas e a distância é mesmo importante. Acreditamos que sim, mas por aquilo que nos é dado observar diariamente, não se cumpre minimamente. Não sei se é possível cumprir, não sei se é possível fazer alguma coisa na Loja do Munícipe ou na Loja do Cidadão ou na Direção de Transportes Terrestres, na Rua do Seminário, ou nas Finanças, por exemplo. Mas o que sei é que não há distanciamento e não havendo distanciamento, se quem manda e recomenda sabe o que faz e o que diz, há risco E havendo risco, é preciso fazer alguma coisa. Se houver condições e coragem para isso.

Se é verdade que a distância conta, então estamos cada vez mais mais perto da Covid-19.

E, claro, longe da realidade, perto do risco.

E aquela carreira 36, como certamente outras, é cá um 31...



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