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O Governo não tem culpa do "laxismo" que não é pouco; mas pode comunicar melhor

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
4 de jan. de 2021
3 min de leitura

Atualizado: 8 de jan. de 2021


Podia comunicar melhor, explicar melhor, por exemplo, o que iria acontecer com a testagem nas escolas, um enigma até véspera de início do segundo período. Qual a metodologia, qual o universo abrangido, para não dizer primeiro que eram todos e depois que eram só funcionários e docentes



O Governo Regional não tem culpa de um certo "laxismo" que se instalou em alguns setores da população, que também tem caraterizado o "modus operandi" de alguns empresários, que vêm jogando num tabuleiro de confiança neste contexto de pandemia, mas muito mais visível nesta época de Natal e Fim do Ano, onde muitos pretenderam recuperar muito do que foi perdido pela ausência de turismo. Não se pode condenar a intenção, sobretudo em setores que sofreram e sofrem muito com a crise, mas pode criticar-se a permissão e a falta de fiscalização.

O Governo avisa e não tem culpa de uns jantares sem cumprimento de regras, de reuniões familiares alargadas, de incumprimentos vários, resultantes do tal "laxismo" visível em enquadramentos de festas, onde ninguém prescinde do velho normal no novo diferente. O resultado é o que se vê, fora aquele que ainda falta ver. É claro que o Governo não tem culpa da falta de responsabilidade de cada um. Objetivamente, não tem. Mas tem responsabilidade em muita coisa, nas medidas atempadas, na comunicação e na fiscalização. E sobretudo tem culpa quando não atua da mesma forma com todos os prevaricadores, dando às vezes a ideia que a intervenção é um pouco por "navegação à vista", de acordo com conjunturas e tempos. Como, por exemplo, Machico achar que poderia ter recebido uma atenção especial, quando esteve em risco elevado, antes do Natal, pelo menos igual à atenção que hoje está a ser dada ao Funchal, Câmara de Lobos, Ribeira Brava e Porto Santo, depois do Natal. Parece que a diferença é um antes do Natal e outros depois do Natal. É o que parece.

O Governo Regional não tem culpa da irresponsabilidade das pessoas, e até tem adotado medidas positivas de prevenção. Mas podia comunicar melhor, explicar melhor, por exemplo, o que iria acontecer com a testagem nas escolas, um enigma até véspera de início do segundo período. Qual a metodologia, qual o universo abrangido, para não dizer primeiro que eram todos e depois que eram só funcionários e docentes. Para que as aulas não começassem no Porto Santo, de manhã, e serem suspensas à tarde. Há enganos, há situações que evoluem, mas há um padrão que vem caracterizando a forma como se apresentam algumas medidas e que padece, esse padrão, de uma falta de comunicação objetiva, explicando a medida e o seu conteúdo, precisamente para evitar especulações e dar a ideia que a decisão é assente em bases concretas e não pensada por tentativa e erro.

O Governo não tem culpa de tudo, nem vai falar com as pessoas como se fosse uma creche. Mas pode atuar como se fosse uma creche de gente grande. Mas com uma diretriz única, compreensível, bem explicada, mas sobretudo que se perceba que uma medida é realmente para cumprir, por parte de todos, para não parecer que os avisos de "peito cheio" são apenas para alguns, ficando de fora os outros, os que fazem "peito cheio" ao Governo, numa dialética entre poderes, em que o ajuste das medidas é sempre inferior ao ajuste dos euros. Mesmo em pandemia.

O Governo não tem culpa. É uma verdade. A culpa é das pessoas...



 
 
 

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