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O "isolamento natalício" pode dar "barraca"

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
13 de nov. de 2020
3 min de leitura

Desconfio de quase tudo o que depende do esforço comunitário para ter sucesso, da responsabilidade individual para o bem coletivo.


Fico sempre de "pé atrás" quando se apela à responsabilidade de cada um. Sou um "desconfiado" inveterado quando estamos a falar de civismo, de vivência em comunidade, de consciência comunitária, de preocupação pelo próximo, da defesa dos valores, maior do que os valores em defesa.

Desconfio de quase tudo o que depende do esforço comunitário para ter sucesso, da responsabilidade individual para o bem coletivo. Só se meter bola e Ronaldo. Já não vou pelo politicamente correto de dizer que o sentido cívico do povo é grande e que, no caso das medidas de prevenção para a Covid-19, todos usam máscara ou cumprem o isolamento quando é preciso, mesmo vendo tanto incumpridor que, pura e simplesmente, marimba-se para tudo o que é regra ou recomendação. Não há um sentido de responsabilidade tão abrangente que nos permita avaliar a situação como se houvesse um cumprimento suficientemente generalizado para aferir, por antecipação, a eficácia das medidas.

Não tenho dúvidas da "bondade" da medida relacionada com o segundo teste aos estudantes universitários madeirenses, quando em dezembro, a partir do dia 18, regressarem à Madeira para o Natal. Dizem que são 4 mil. Não tenho dúvidas da importância desse segundo teste, não sou médico, era o que faltava se não acreditasse em quem percebe do assunto, deixo nas mãos de quem sabe. Não tenho dúvidas que é uma medida importante, que visa a defesa da saúde pública. E só por isso, quem aplica já começa a ganhar.

Mas já tenho dúvidas do resto. E o que é o resto? O resto é que os estudantes correspondam ao apelo do presidente do Governo Regional para fazerem o primeiro teste no continente, nos laboratórios contratualizados pela Região. Posso estar enganado, é melhor que esteja, mas só o receio de dar positivo e ficarem por lá, desencoraja qualquer um, logo no Natal, é melhor ficar de quarentena em casa.

E por isso, farão o teste à chegada e esperam, isolados, até ao segundo teste entre os quinto e sétimo dias, para muitos calha lá para o dia de Natal. O que, mesmo compreendendo a medida e os tempos diferentes em que vivemos, é demolidor nesta época apelativa, independentemente das circunstâncias envolventes. É que o isolamento é mesmo relativamente ao núcleo principal familiar, pelo que o argumento que vêm para estar com a família em tempos de pandemia e de contenção nem sequer é verdadeiro, só estarão "livres" para aí uma semana depois, sensivelmente, se fizerem o teste aqui.

Tenho muitas dúvidas que os estudantes cumpram com o isolamento. Muitos vão, muitos não vão. É uma pressão gigantesca, atendendo à época, pelo que esta operação, sendo boa e importante na génese, tem todas as condições para poder dar, pelo menos, "meia barraca". Ou "barraca inteira".

É que já se viu que o apelo à responsabilidade de cada um vale o que vale no tal politicamente correto. Mas na verdade vale muito pouco.

É bom ter medidas, sobretudo deste género, populares, mas também é bom avaliar as consequências sem "sacudir a água do capote", sobretudo numa responsabilidade tão vulnerável e tão falível.

Alunos, universitários, isolados uma semana na "Festa"? Quando vêm entre 10 e 15 dias? Mesmo neste novo quadro?

Ainda bem que há quem acredite no Pai Natal...




 
 
 

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