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  • Henrique Correia

O lixo e a limpeza podem dar e tirar votos


Para a eventualidade de alguma falta de perceção sobre o que se passa, os alertas, quando retratando o real, são sempre importantes. O lixo e a limpeza da cidade são de todos os tempos. Também em tempo eleitoral.




Todos sabemos que a cidade e para todos e de todos mas nem todos estão para a cidade. Por diversos motivos, porque quem não tem não pode dar, porque não quer e vive à margem de todas as regras, porque é conveniente em determinados momentos ou simplesmente porque sim. E é aqui que entram os serviços e as fiscalizações, que devem atuar em conformidade para evitar determinadas imagens e situações que não só colocam em causa os próprios serviços camarários, mas também a imagem da cidade perante os residentes, que não são muitos, mas tem os que ali trabalham e também os turistas, que como se sabe andam pelo Funchal e deparam-se com estes espetáculos de falta de limpeza.

As denúncias têm acontecido com alguma frequência, caixotes de lixo a abarrotar, ruas conspurcadas que levam dias inteiros sem uma intervenção, o que tem sido mais visível em função das eleições que estão à porta e anda tudo mais atento, também mais perspicaz por dar jeito, sobretudo quando cada voto conta. Mas as entidades não podem queixar-se e responsabilizar adversários quando elas próprias permitem estas realidades, por conjuntural inércia de serviços ou por falta de tempo de quem tem a obrigação de orientar e não o faz convenientemente. Um presidente de Câmara deve intervir, diretamente, para mais em contexto eleitoral, em áreas que não pode falhar custe o que custar. A recolha de lixo, a limpeza das ruas e sem abrigos deitados pelos passeios, são questões prioritárias, podem dar e tirar votos, até mais do que obras e o trânsito. Por isso, era rédea curta, muito apertada, para evitar o que se vê.

Entre os vários alertas, surgiu um de particular relevância, pela situação recorrente sem que haja uma clara atitude de vistoria face à ocorrência, mas também porque vem de uma figura pública que expressa credibilidade na opinião, independentemente do ato eleitoral em si. Juan Carvalho, que lidera na Região o Sindicato dos Enfermeiros, denunciou, há menos de una semana, com imagens, duas situações no mesmo local: "A falta de civismo não tem limites, hoje de manhã no cruzamento, Rua de Santa Maria com a Rua dos Barreiros, onde circulam muitas pessoas, era bem visível um lamentável cartaz num lugar agradável da zona velha da cidade do Funchal". Hoje, nova publicação de alerta: "O degradante espetáculo repete-se no cruzamento da Rua de Santa Maria com a Rua dos Barreiros, numa zona de restauração por onde passeiam e jantam muitos turistas

não se compreende tão grande falta de higiene e civismo. Por onde anda a fiscalização para disciplinar estes desordeiros. Lamentável".

Estamos a seus dias das eleições e é fácil ligar qualquer abordagem a essa realidado, com um intuito qualquer que se adapta aos olhos de quem lê e conforme os interesses envolvidos. Mas a realidade é outra, é deste tempo e de todos os tempos. Se houver orientação, meios e atitude, não há critica sustentável. Não sendo assim...

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