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  • Henrique Correia

O "mestre" da pandemia


A pandemia fez-lhe bem, pode não ter resolvido tudo, mas fez-lhe bem.

Miguel Albuquerque tem assumido posições que, na generalidade dos casos, resultaram numa mais valia



A pandemia mudou tudo. Mudou a vida, mudou a forma como víamos as coisas, as pessoas, mudou estratégias, mudou contextos, inverteu prioridades. Não sei se sairemos melhores disto, não é garantido, mas todos mudaram, de formas diferentes, nem que seja naquela petulância de alguns que se julgavam no altíssimo em relação ao cidadão comum. Na política, isso também aconteceu.

A pandemia não pode ser boa para ninguém, mas um ano depois de vigência deste estado permanente de crise, entre quem governa, quem é oposição e quem é governado, não podemos ignorar uma mudança significatica de uma luta política em contexto pandémico, em que é muito mais fácil governar, se não cometer grandes erros, do que propriamente ser oposição num enquadramento em que as pessoas não compreendem lutas político partidárias, que sustentam os partidos mas não sustentam as pessoas. E a oposição faz-se, também, de um espírito crítico incisivo, que o eleitorado não percebe nestes momentos em que as prioridades são outras.

Claro que o Governo Regional tem falhas, continuo a dizer que é essencialmente de comunicação, talvez por haver muita gente fora da comunicação a pensar que sabe comunicar. Também não gosto do exagero da frase "está tudo controlado". Como se estivesse mesmo. Não está. Não está na Madeira, muito menos no continente, não está na Europa, não está seja em que lado for. Até porque existem muitas situações, que são do nosso conhecimento, demonstrativas que a situação não está, de todo controlada.

Colocadas estas realidades, com todas as lacunas e erros que envolvem qualquer governo nestas circunstâncias, é importante que sejamos justos na avaliação, independentemente do que possamos pensar sobre as pessoas e atitudes anteriores de governação. Miguel Albuquerque tem sido um "mestre" da pandemia, não isento de alguns passos mal dados, mas no essencial, na globalidade, desde o início da pandemia, tem conseguido descer, dar passos atrás naquela sobranceria dos primeiros tempos de governação, numa espécie de "ter o rei na barriga" e "subir a Quinta Vigia à cabeça". A pandemia fez-lhe bem, pode não ter resolvido tudo, mas fez-lhe bem.

Miguel Albuquerque tem assumido posições que, na generalidade dos casos, resultaram numa mais valia e, em muitos casos, foi seguido pelo continente. A Madeira serviu de exemplo neste combate, difícil, à Covid-19. Esteve bem quando quis fechar o Aeroporto, mesmo sem poder fazê-lo, foi pelos testes à chegada e isso estancou muitos problemas. Contratualizou laboratórios no continente, e nem que tivesse impedido 10 positivos de terem viajado, impediu muito mais, teria valido a pena. Esteve bem, nessa e noutras situações, é preciso dizê-lo sem complexos.

Foi "mestre" nesta última decisão de disponibilizar 3 camas para doentes críticos do continente. Três camas pareciam nada. E Albuquerque sabia. Mas nem estava em causa o número, mas sim a atitude e o que ela representa, no contexto pandémico, de solidariedade, mas também político. Sim, há sempre um lado político numa decisão de um político, mesmo desinteressadamente e por muita expontaneidade em que assenta uma decisão. Mas com ou sem intenção estratégica, caiu bem em todo o lado, fica difícil fazer oposição a isto. Tudo menos isto.

Para a oposição só há o "caminho das pedras": contra o "mestre"..."mãos à obra".



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