O mundo "senta-se" e a guerra avança

Ninguém percebe que um dia destes podemos ter Putin "à porta".

Faz-me confusão esta dita ordem internacional, ridícula ordem internacional em que o mundo fica sentado a ver um país ser invadido, a Ucrânia, por parte de um outro, a Rússia, que atira a matar como força invasora, contra a diplomacia, que atropela a soberania de um país, que ataca alvos civis, que mata crianças, que ameaça outros países, como por exemplo a Finlândia e a Suécia, que afirma estar aberto à negociação depois de destruir o adversário, tudo isto e muito mais perante as organizações internacionais que se perdem, nos corredores e nas ligações de videoconferência, em debates estéreis, em decisões, quase todas elas, com efeitos futuros e nada prrsentes. Enquanto a Casa Branca vai dizendo que os russos estão à porta de Kiev e a ofensiva à capital ucraniana está iminente. Como se neste jogo da guerra fosse mais importante o relato.
Sabemos que a Nato é uma organização defensiva, como lembrou António Costa, que só intervém em caso de ameaça a qualquer dos seus membros, e a Ucrânia, como se sabe, não é membro da Nato. Sabemos isso tudo e há esse posicionamento inabalável como justificação para decisões caraterizadas por serem inconsequentes, pelo envio de tropas para países membros vizinhos, só para prevenção, sem prazo definido, talvez três semanas, dá tempo a rebentar com o resto. Prometem apoio financeiro, que vai demorar, além de equipamento. É como se a ordem internacional quisesse combater com a desordem internacional praticada pela Rússia. Não se percebe este mundo. O mundo parece também não perceber que um dia destes a ameaça é mais alargada, cada vez mais ganha peso a similitude de outras guerras e líderes de má memória.
É revoltante ver famílias abandonando as suas casas, umas já destruídas, outras pura e simplesmente são abandonadas com tudo lá dentro. Famílias inteiras, prédios destruídos e não são estruturas militares. E mortos, muitos mortos, porque relativamente a estes números, só mais tarde saberemos o que representam realmente. É revoltante assistir a um depoimento de um português Alexandre Pinto, em Poltava, dizendo que há aviões lançando telemóveis e brinquedos com explosivos. Uma guerra ainda por cima com esta configuração.
E o que faz o mundo? Apela, protesta, reúne. E o que faz a Rússia? Promete não atacar, ataca, ameaça ostensivamente.
E ninguém percebe que um dia destes podemos ter Putin "à porta".



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