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O número de mortos por Covid-19 não pode ser só uma questão percentual

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
10 de mar. de 2022
2 min de leitura

Os dados sobre vítimas mortais continuam altos e isso deve ter uma explicação. Com sistema sentinela ou outro sistema qualquer.



Não sei se o pior já passou da Covid-19 na Madeira. Ficaria a saber quase igual ao que não sei se a Região mantivesse os níveis de informação anteriores, onde diariamente dava conta da evolução da pandemia, uma informação como se pede, como se exige, sem subterfúgios nem nomes pomposos que na prática funcionaram apenas com a finalidade de restringir conhecimento sobre o que realmente se passa. Não digo esconder, mas habilidosamente restringir. E quando se faz isso, abre-se logo espaço a especulação por muito transparente que seja a intenção. Como estava, podia não saber mais, mas estava ali para quem quisesse ver os dados todos.

Não sabemos quantos casos positivos existem porque os testes gratuitos acabaram e compreende-se porquê, fica difícil para os orçamentos dos governos. Apenas sabemos o que referem algumas fontes credíveis das redes sociais, aquelas que o poder político quer meter no mesmo saco da falta de credibilidade só para dar a entender que a credibilidade apenas está na informação que o próprio governo suporta nas mais diferentes variantes. E por essas fontes garantidas, ficamos a saber de muitos casos positivos, de andares no Hospital Dr. Nélio Mendonça interditos a visitas devido a um surto que atingiu internados que entraram com outras doenças e apanharam Covid-19 lá dentro. E ficamos a saber que a pandemia está longe de acabar embora seja importante convivermos com ela.

Mas o que causa maior apreensão é relativamente ao número de mortos. A informação oficial deixou de indicar a idade e o sexo das vítimas mortais, apenas fá-lo no que toca aos internados. Passou a um relatório mínimo e as reações ao elevado número de óbitos incide, quase sempre, na percentagem, como se a perda de vidas fosse apenas uma questão percentual. Até pode ser para as contas da Covid-19 e para dizer que 77 mortos desde 1 de janeiro e até 8 de março não representam bem 77 assim isoladamente, é uma percentagem mínima e por isso é tempo de relaxar um pouco mais. Mas são 77 mortos em 67 dias, se não é muito tecnicamente, para mim é e pronto, anda lá perto.

Logo pelo meio dia, o secretário regional da Saúde vai dar o balanço de um chamado sistema sentinela, uma novidade adotada em fevereiro enquadrada numa nova filosofia de abordagem informativa, até ao momento muito menos esclarecida do que a divulgação anterior, mas provavelmente terá alguma razão, desde logo provavelmente a de não se conhecer tudo o que se passa. Como por exemplo, a subida do RT onde a Madeira não está abaixo de 1.

Mas voltando ao número de mortos, mesmo depois de Pedro Ramos ter afirmado que o problema está na forma de contabilizar, os dados continuam altos e isso deve ter uma explicação. Com sistema sentinela ou outro sistema qualquer.






 
 
 

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