O outro lado da obra do Hospital: os resistentes das expropriações

Mas será que os projetos decisivos para o futuro não podem ter pelo menos uma parte humana a entrar na equação? A política tem esta inevitabilidade de tratar tudo como um número, a lei acima dos valores e das pessoas.

Se o Governo da República dá mesmo os 50 por cento à Madeira para o novo Hospital, sem incluir no negócio o valor dos hospitais Nélio Mendonça e Marmeleiros, em caso de venda dos imóveis, que são da Região e não podem, nem devem, entrar neste negócio, é caso de lita política contra Lisboa pelo facto de o Governo da República estar a prometer metade e as contas não darem metade.
Se as obras estão a andar a bom ritmo e se o valor das escavações foi separado do resto para satisfazer os consórcios cadidatos e que reclamavam valores pouco arraentes, é motivo de avaliação e ajustamento para que quem faz a obra sinta que vai ser um bom negócio.
Mas já quem tinha a sua casa e se depara com os processos de expropriação, com pressão constante e valores 50% abaixo do mercado, raramente é notícia e quando se fala é para acusar quem está "intransigente" por não aceitar um apartamento de aluguer quando o dinheiro que recebe não dá para ir ao mercado. É a insensibilidade relativamente a pessoas face à frieza dos números e da lei pura e dura.
Hoje, rezam os noticiários, que foi demolida mais uma casa, com o Património presente e com a polícia, não vá os poucos resistentes colcarem em causa a segurança regional, quais agitadores públicos que pedem alguma justiça neste processo que já levou a maioria à cedência e que outros vão ceder face aos tribunais.
Claro que o novo Hospital é uma obra determinante para a Região, é mesmo u.a obra estruturante na prestação de serviços de saúde para os madeirenses. Não há dúvida que se trata de um projeto decisivo para o futuro. Mas será que os projetos decisivos para o futuro não podem ter pelo menos uma parte humana a entrar na equação? A política tem esta inevitabilidade de tratar tudo como um número, a lei acima dos valores.
Acho que vai ser sempre assim, em tudo, enquanto cada pessoa achar que ainda bem que aquele problema não é consigo.



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