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  • Henrique Correia

"O partido em que me filiei deixou de existir", diz Mesquita Nunes sobre o CDS


"Como é possível que o CDS aceite que uma direcção retire aos militantes o direito de escolher o seu líder e a sua estratégia; e que o faça num Conselho Nacional ilegalmente convocado e ignorando as decisões do órgão jurisdicional do partido".





O CDS está em pleno conflito interno. O lider conseguiu adiar as eleições internas para depois das legislativas e essa decisão levou a reações dos militantes que pretendiam eleições já para que o partido fosse para as legislativas nacionais com a força da renovação.

Mas esta decisão já dez estragos, além das criticas do candidato Nuno Melo. Agora foi Mesquita Nunes, que anunciou a desfiliação do partido explicando as razões num texto publicado na sua página do Facebook.

"O partido em que me filiei deixou de existir

Nunca pensei pedir a desfiliação do partido em que milito há 25 anos, a quem tanto devo e a quem entreguei boa parte da minha vida, do meu empenho e do meu entusiasmo.

E se o faço hoje, no que provavelmente é o mais difícil acto político da minha vida, é porque o partido em que me filiei, o CDS das liberdades, deixou de existir".

Não fundamento esta desfiliação nas profundas discordâncias com o rumo seguido pela direcção eleita nem na avaliação que esta publicamente faz da minha honra e da minha militância.

Todas as direcções são conjunturais e a militância não deixa de fazer sentido se estivermos em desacordo com o discurso, ética e estratégia da direcção do momento.

Fundamento esta desfiliação na convicção de que o CDS é hoje, estruturalmente, um partido distinto daquele em que me filiei, um partido que quer afastar-se do modelo de partido que servi como dirigente".

"Como é possível que o CDS aceite que uma direcção retire aos militantes o direito de escolher o seu líder e a sua estratégia; e que o faça num Conselho Nacional ilegalmente convocado e ignorando as decisões do órgão jurisdicional do partido; e ainda para mais para manter uma direcção cujo mandato termina em Janeiro?

Este não foi o partido em que me filiei.

O CDS transformou-se noutra coisa. É legítimo que o faça. Assim como é legítimo que eu escolha desfiliar-me agora que essa transformação se cristalizou. Até ao último dia acreditei que era possível inverter este rumo. Vejo hoje que este se tornou irreversível.

Deixo o CDS sem uma gota de arrependimento pelo percurso que nele fiz durante 25 anos. Foi uma honra ter servido e representado o CDS e é com orgulho que olho para o que, com erros e acertos, fomos capazes de fazer em nome da direita das liberdades. Nunca fiz esse caminho sozinho".



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