O "passismo" (também) foi a votos no PSD

O "passismo" ainda está muito presente no PSD, no PSD Madeira também. E foi um pouco de Passos Coelho a decidir o vencedor das diretas.

Foto site do PSD
Sendo um partido do chamado "arco do poder", o que se passa no PSD interessa ao espaço político nacional e regional. E a escolha do líder revela sempre indicadores relativamente ao que é perspetivado para o partido, mas também para o Governo, que por sinal é escolhido em janeiro.
Neste caso concreto das diretas no PSD, ganhas por Rui Rio, revelaram-se interessantes do ponto de vista da análise, uma vez que em cima da mesa não estavam candidatos fortes, mas sim duas estratégias que foram sufragadas estando subjacente aquele que neste contexto poderia ser o menos mau para ter maior implantação no País. Uma eleição muito particular que curiosamente escolhe um lider que tem estado ligado a uma oposição muito passiva, muito à margem do combate político que se exigia ao maior partido da oposição.
Acontece que do outro lado, estava Paulo Rangel, uma aposta que poderia ser aquela "lufada de ar fresco" que os militantes pretendiam, uma oposição mais presente contra o até agora primeiro-ministro António Costa. Mas não foi isso que aconteceu nas eleições, não obstante Rangel reunir um interessante conjunto de votos. Mas a realidade é que ainda está muito presente a figura de Passos Coelho, o primeiro-ministro e líder do PSD do tempo dos planos de ajustamento, que retiraram poder de compra aos portugueses. Por isso, a pior coisa para Rangel foi ter sido colado ao "passismo". Que até poderia passar no partido, eventualmente com resquícios desse passado, mas não passava no País.
Relativamente à Madeira, a vitória de Rio foi mais ou menos confortável, mas Rangel ainda reuniu 892 votos. E é importante termos em conta estes resultados, reveladores das duas tendências existentes no PSD Madeira, que até podem anular-se por um valor maior, como foi por exemplo as eleições autárquicas, do Funchal de forma mais visível porque escolhia um futuro líder do PSD, Pedro Calado. De resto, as tendências lá estão numa espécie de "guerra fria", que em surdina debate a proximidade que Albuquerque teve e tem com Passos Coelho, bem como o mandatário de Paulo Rangel, Rui Abreu, um dos estrategas do plano de ação que resultou na transição no PSD Madeira.
Na verdade, o PSD-M vive com essas tendências, ainda hoje, sabendo-se que os apelos de unidade são conjunturais, com mobilização forte, é certo, mas não consistente, não reveladora de um apoio inequívoco à tendência dominante interna. E Miguel Albuquerque sabe disso, de tal modo que não arriscou optar por um dos líderes, para não correr riscos de ser conotado com uma derrota e deixar a porta aberta para alguns problemas que visassem a própria governação.
O "passismo" ainda está muito presente no PSD, no PSD Madeira também. E foi um pouco de Passos Coelho a decidir o vencedor das diretas. Os militantes não gostam do estilo de Rui Rio. Mas o que não gostam mesmo é de qualquer presença, direta e indirera, de Passos Coelho. Neste caso, em prejuízo de Rangel.



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