O Penedo do Sono "Profundo"
- Henrique Correia

- 14 de ago. de 2022
- 2 min de leitura
Há obras de desenvolvimento e outras de vergonha. O Penedo, os campos de volei de praia estão "jogados para ali".






Há obras que marcaram o deenvolvimento da Madeira pela sua relevância para a vida dos madeirenses, nas acessibilidades e numa diversidade de setores. E depois há outras que foram apresentadas como a modernidade do mundo cá dentro, a solução única, o projeto símbolo das localidades, que assim à primeira vista até se compreendia como algo de positivo, mas que envergonham quem hoje vê, pelo abandono a que estão votadas e pela inércia das entidades que conduziu essas infraestruturas a uma realidade que nos deve fazer refletir em termos de aplicação de dinheiros públicos e também ao nível da desresponsabilização completa de uma aposta que falhou sem que existisse uma resposta que permitisse alternativa.
O Penedo do Sono, no Porto Santo, na altura apontado como as "Docas" da zona ribeirinha de Lisboa, foi um projeto de uma grandeza para dar vida à noite da ilha, concentrando a vivência noturna numa área não residencial, e dando dimensão que captasse interesse de quem nos visita. Assim, numa primeira análise, até parecia um "fenómeno" qual panaceia para o Porto Santo do futuro. Feito para todo o ano, com espaços arrendados a preços altos como se fosse para para uma atividade todo o ano, permanentemente alta. Num destino sazonal. Pensar muito alto é bom, mas descer à terra para pensar real ainda é melhor, sobretudo se estivermos a pensar em projetos virados para as populações. Não foi o caso, infelizmente, como de resto também não foi o caso da Marina do Lugar de Baixo.
Mas este Penedo do Sono "Profundo" está em crescente degradação, "adormecido" pela falta de reação, de atitude, numa "morte lenta" sem que se faça qualquer coisa para dar aproveitamento ao espaço, embora para isso seja preciso investir, como diz o povo, uma "pipa de massa". Mais investimento público. Mas é melhor do que dar aquela imagem de um destino turístico que, se calhar, quer mais qualquer coisa do que o excelente areal, o que não tem pedras naturalmente.
Só que o Penedo não está sozinho no abandono. A pista já tem árvores "plantadas" a meia da via de circulação mas onde ninguém circula há muito tempo. Mais ao lado, os campos de volei de praia. Ia ser um espaço internacional, vinham equipas aos montes, como disse o "específico" Futre "eram resmas". Só que não, nem as "resmas" nem nada. Dos campos, só mato e areia, nota-se que eram campos porque tem bancadas à volta. E tem os mastros, tantos à espera de bandeiras para eventos internacionais. Os mastros resistem, uns já estão de lado, como focam as pessoas que passam por ali e dizem com os seus "botões": como é possível ter deixado chegar a este ponto.
O Porto Santo é tudo o que há de positivo, praia europeia, destino de massas em agosto, ponto turístico sazonal, por muita luta que haja, embora melhor do que há alguns anos, está com mais meses ocupados. E depois tem estes "penedos", que se fossem avaliados para prémios, ia ser o bom e o bonito.
Façam qualquer coisa. Chegam tarde, mas se calhar chegam.



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