O pior está para vir: 2021 é só para começar a recuperação social

Foi mais ou menos isso o que disse Marcelo na renovação do estado de emergência: "A Economia demorará a dar passos na reconstrução, a sociedade demorará muito mais"

É muito difícil que as pessoas entendam o que está para vir. É muito difícil, e doloroso, dizer que o que está para vir é grave, do ponto de vista social, do ponto de vista da recuperação do nosso ser. O tempo de tensão, de preocupação, de confinamento, de centralização da vida na crise sanitária, será em breve substituído pelo tempo das grandes dificuldades económicas, da outra crise, da crise económica, da pobreza. O fim dos apoios pode levar ao caos. E Marcelo Rebelo de Sousa, hoje, tocou na "ferida" quando pediu, talvez, um último esforço para novo estado de emergência, o décimo quinto, e onde falou, essencialmente, do ano de 2021, o ano em que vai começar a recuperação social.
O Presidente da República diz que será preciso olhar para as pessoas, o que nelas ficou a pesar, as solidões dramáticas dos idosos, os institucionalizados, mas também os outros, as marcas que vão ficar nas vidas pessoal, familiar e profissional, com crises e frustrações irreversíveis ou de efeitos longos, as desorientações de milhares de estudantes a requerem tempo para gerirem tantos choques, o agravamento da pobreza, das desigualdades das injustiças. A Economia demorará a dar passos na reconstrução, a sociedade demorará muito mais. Se 2020 foi o ano da vida e da saúde, 2021 será o ano da recuperação social".
Nem mais. Sem pessimismos excessivos, mas também sem otimismos irresponsáveis, é importante refletirmos sobre o que vem aí. Para empresas e para trabalhadores. Acabando o "layoff", acabando as moratórias, acabando os milhões que são anunciados diariamente, todos eles importantes mas que, na prática, apoiam a sobrevivência de empresas durante alguns meses, acontecerá o inevitável, uma "travessia" de dificuldades e uma crise económica dura, muito dura, com consequências que a nossa mente virada para a saúde, o principal neste momento, não nos deixa assimilar a tempo de perceber a verdadeira amplitude dos tempos difíceis que aí vêm.
Marcelo levantou a "ponta do véu". É só mesmo a ponta.



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