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O povo superior sabe pouco e não sabe viver em comunidade

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
25 de jul. de 2021
3 min de leitura

É preciso colocar o "dedo na ferida" e dizer que estamos a criar uma sociedade "doente". Não é um problema de método, é mesmo de falta de educação e daqueles valores que as universidades não dão.



Imagem blog Vindi.


Há uma educação nova em curso em Portugal. Há uma educação nova, também em curso, especificamente, na Madeira, é um problema da sociedade que estamos a criar de forma leviana, isolada, desprovida de senso e de sentido comuns. Uma educação que tem a ver com uma forma diferente como as pessoas vêem os valores, o sentido de comunidade, o respeito pelos outros e a noção, que não têm, que a vida faz-se de liberdade e de responsabilidade. Muitos só conhecem a primeira, em sentido lato, porque se formos esmiuçar os seus conhecimentos, de quase tudo, mas também de abril, por exemplo quem foi Eanes, quem foi Otelo, quem foram os capitães de abril, é certo e sabido que se estendem ao comprido. Mas também não conhecem o presidente da República ou o primeiro-ministro ou porque razão vão votar. Estamos a criar sociedades, maioritariamente com curso superior, que de superior só mesmo o curso, mas encaixadas num bloqueio de conhecimentos básicos sobre o ser e o estar, acima de tudo. Com exceções, e ainda bem, que nos fazem não perder toda a esperança.

Quando há pouco, um jornalista questionava sobre os conhecimentos de muita malta acerca de Otelo, no que Otelo teve de positivo, foi o estratega do 25 de abril, mas também no que teve de negativo, com a participação da associação terrorista das FP- 25, com mortos às costas e famílias desfeitas, a verdade é que esta noção básica, se fosse a consulta aleatória, 8 em cada dez jovens não sabiam quem foi o Otelo. Acho um resultado otimista, 8 em cada 10. Mas vá lá...

É preciso acabar com o politicamente correto de dizer que é normal esta anormalidade do conhecimento geral, quem precisa de votos não pode dizer isto, não pode porque os pais dessa geração, alguns não sabem rigorosamente o que andam aqui a fazer com os filhos, fazem parte do eleitorado, até alguns com influência criada por decreto de proximidades partidárias. Muitos são os mesmos que não sabem viver em comunidade na nossa estrutura maioritariamente formada por apartamentos, que não pagam condomínios, que arrumam os carros em espaços que não são seus, que fazem arrecadações nas garagens, que deixam portas abertas e que até acham piada quando os miúdos atiram bolas, papéis e outras coisas mais para a vizinhança. As empresas de condomínios merecem uma homenagem, tanta a desfaçatez, alargada, que esta sociedade tem, por falta do essencial que não tem.

É preciso colocar o "dedo" na ferida e dizer que estamos a criar uma sociedade "doente". Não é um problema de método, é mesmo de falta de educação e daqueles valores que as universidades não dão. E como não dão, é como se não existisse. Até um dia.

Muitos não sabem quem foi Otelo. Quem foi Virgílio Pereira. Não sabem quem é Marcelo, nem quem veio antes e quem anda por aí para vir depois. São os mesmos que não sabem o que é dizer bom dia, o que é educar no sentido do respeito pelos outros, pela convivência em comunidade, sem atropelos, naquele princípio que a minha liberdade acaba quando começa a do outro. São os mesmos que brincam com as regras, que vão para o Funchal e para o Porto Santo fazer o que fazem, marimbando-se para a comunidade que tenta livrar-se deste pesadelo da pandemia e enfrenta outro pesadelo da rebeldia atrevida e inconsciente.

Esta geração não está nem à rasca nem aflita. Quem está aflito é quem vê isto com um palmo de visão à frente do nariz enquanto vê passar pela frente um mundo de nada com tudo para dar errado.

 
 
 

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