"O próximo ano letivo vai correr bem? Não vai, não há como correr"

O psicólogo Eduardo Sá é de opinião que irão registar-se muitos surtos localizados de covid, em contexto escolar".

Eduardo Sá, psicólogo, sabe do que fala quando diz que "próximo ano lectivo vai ser duro! Para nós. Para as escolas. E, naturalmente, para os nossos filhos". Desta vez foi num artigo publicado na "vozprof", num contexto em que está à porta o próximo ano letivo e onde os pais, professors e alunos se questionam": "E agora?" "Teremos toda a informação, todos os cuidados e (desculpem!) todo o respeito que mereceríamos? Infelizmente, acho que não. Mas ainda estamos a tempo…", escreve o psicólogo sobre o assunto. De repente”, haverá dois milhões de crianças que vão alterar o relativo isolamento social em que, desde Março, vinham a viver e passarão a interagir umas com as outras, de forma aberta, em contexto escolar. Porque o ensino presencial, que vem sido reclamado (e bem!) pelos pais e pelos professores — e dado que as escolas não “esticaram” os metros quadrados que atribuem a cada turma (podendo o número de alunos, nalguns casos, chegar a 30) — passará a decorrer com o recurso a “pelo menos um metro de distância” entre alunos, em sala de aula, o que fará com que as crianças, mesmo com máscara e advertidas para os cuidados de saúde que devem ter, estejam demasiado próximas umas das outras, multiplicando (em muito) as probabilidades de risco de contaminação". Eduardo Sá continua expondo o seu ponto de vista numa perspetiva da realidade que em setembro será o dia a dia nas escolas, a normalidade num novo normal: "Porque a forma como as escolas estão a preparar-se para “poupar” inequivocamente nos tempos de recreio, em nome da protecção das crianças, nos volta a trazer uma fórmula do género: “recomenda-se que, para sua segurança, as crianças não sejam crianças”. Que terá consequências graves na dinâmica das aulas e no aproveitamento escolar. Não ficando muito claro a quem competirá a gestão desta versão confinada de recreios, por mais que a sua consequência se configure muito preocupante. Já não sendo possível o recurso ao ar livre que, tantas vezes, nestes últimos meses foi mais uma sala de aula para muitas crianças mais pequeninas". O psicólogo pede: "Não façam com que se continue a presumir que, em relação ao próximo ano lectivo, “vai correr tudo bem”. Não vai! Não há como correr! E não se pressuponha, por favor, que tudo será uma catástrofe. Todos temos esperança que não seja assim! Mas irá haver, sem dúvida, muitos surtos localizados de covid, em contexto escolar. Em função deles, é claro que, temporariamente, muitas escolas terão de suspender a sua actividade lectiva presencial. Mas não está minimamente claro qual será o “plano B” ou o “plano C” das escolas, diante disto. Voltaremos (supõe-se), nesses interregnos, ao ensino à distância, por mais que seja preciso que se pergunte “Como?” e se cada aluno terá, dentro de um mês, um computador e meios digitais a que corresponda a essas necessidades. Não está, também, claro se os pais, mal isso suceda, terão meios e medidas sociais de protecção para acompanharem os seus filhos, porque se depreende que, regra geral, em função da sua idade e do risco que isso representa, os seus avós não o consigam fazer. E, o mais importante deste imenso imbróglio, digam-nos, por favor, o que se espera dos professores. Porque se o seu espírito de missão não se questiona, a sua idade e os factores de risco que possam ter não são aspectos que não nos preocupem e que não venham a trazer consigo muitas ausências forçadas e muitas dores de cabeça para nós, pais".
Esta posição de Eduardo Sá é sem dúvida pertinente do ponto de vista do debate sobre um assunto que preocupa a comunidade escolar, sobretudo num contexto em que se desconhece, ainda, a dimensão de uma nova vaga de Covid-19, se haverá essa nova vaga, se há ou não estratégia para um novo quadro negativo. O País não está preparado para nova paragem. Essa parece ser a única coisa certa.



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