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O "saco sem fundo" das nomeações

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
4 de set. de 2020
3 min de leitura

O PSD-Madeira precisa do CDS. Para sermos verdadeiros, precisa de uma curta votação para garantir a maioria absoluta. E o CDS garante-lhe isso

Para que fique bem claro, qualquer governo assume funções com pessoas da sua confiança. Não vale a pena perdermos tempo em ver quem foi o mais "governado" ou o que teve maior "desgoverno" nesta matéria, faz parte da perturbadora "dialética" política, que no meio de uma situação normal, de escolha de gabinetes, diga-se de pessoas, da confiança, assume a confiança suficiente para ir além do que se espera e superar as expetativas. Os antigos dizem que "dá-se a mão e já querem o pé". Acontece, às vezes, aos governos, quase sempre a qualquer governo, mas sempre quando o governo tem partilha e a distribuição de clientelas torna-se mais complexa em função dos lugares disponíveis para um maior número de "clientes".

Não sei se este governo regional é pior ou melhor do que os outros, se tem mais ou menos lugares distribuídos, se as escolhas obedeceram a negociações complicadas para garantir uma estabilidade de quatro anos, se é muito diferente nas Câmaras, independentemente dos partidos que lideram o poder, sinceramente não tenho dados, tenho a sensação, isso sim, que parece nunca mais acabar e daqui a nada termina o mandato e ainda se fala em comissões e departamentos, ora entra um do PSD, ora entra um do CDS. E neste ritmo, não é de estranhar, estranho seria o contrário, que o líder do CDS Madeira diga que esta coligação está de pedra e cal. Uma "sorte louca" saiu ao CDS e isso reflete-se na necessidade de segurar a coligação com "unhas e dentes", consciente que esta "água" não passará duas vezes pela mesma ponte de ligação ao poder.

O PSD-Madeira precisa do CDS. Para sermos verdadeiros, precisa de uma curta votação para garantir a maioria absoluta. E o CDS garante-lhe isso, com alguma ligação ideológica, mas sobretudo por uma questão aritmética. O PSD-M dá a mão ao CDS, mesmo que por vezes este peça mais qualquer coisa, e este dá a mão ao PSD-M para que este fique descansado na governação, sem o perigo de uma instabilidade. Mesmo que o custo seja, está bom de ver, algumas cedências já visíveis, nem tanto de políticas, mas de lugares onde os centristas possam, também, ter o peso correspondente ao valor da coligação para governar, que não obviamente o peso eleitoral.

Mas pronto, as regras são essas e até ao momento, apesar de alguns arrufos, esta ligação tem funcionado bem para o exterior, julga-se mesmo que há aqui dois patamares, um no interior da coligação, onde se seguram uns aos outros, outro no interior de cada partido, onde esta aliança é aceite com reservas e de forma pontual. A matriz de cada um dos partidos é a preocupação dos militantes, a matriz de poder é a preocupação, pragmática, das lideranças. É nesta dicotomia que se move a coligação, que pode ganhar dimensão autárquica se houver entendimento nesse sentido.

Ainda hoje, um dos jornais regionais, o JM, dava conta da escolha de um homem do CDS para trabalhar com Rita Andrade, no IASAÚDE, a ex secretária, do PSD, que esteve tanto tempo à espera de lugar. Dizia a notícia que ainda não sabiam bem as funções de Martinho Câmara, o que para o caso não é relevante, será certamente na área da Saúde e de certeza que vão arranjar qualquer coisa. Não está em causa a pessoa, nem por sombras se duvida das capacidades, mas o que está mesmo em equação é a forma destas situações ocorrerem de acordo com as negociações e a meio da governação. Além de estarmos em pandemia. O que para o caso até ajuda, uma vez que a saúde precisa de reforços e explica-se logo pelas necessidades. E é importante dar consistência ao setor.

Mas também já se sabe que para estas nomeações, parece, não há "vacina". Pois não?


 
 
 

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