O vandalismo "desconfinado"

Não podemos estar tranquilos e confinadamente seguros com a insegurança "desconfinada".

O vandalismo regressou ao Funchal nestes dias de confinamento. Os assaltos a estabelecimentos, também. Não foi preciso esperar muito para ver situações que já foram registadas no outro confinamento geral, mas que regressam agora quando mandamos toda a gente para casa às sete da tarde. Fugimos da Covid-19 e temos montras partidas, caixotes do lixo no chão, e desta vez não foi alguém a sair das discotecas, foi mesmo puro desafio, igual no princípio do ato, puro e duro, de destruição, mas diferente pelo contexto verdadeiramente desafiador, a demonstrar que ainda há muito trabalho a fazer, enquanto sociedade, para que o exercício da democracia seja pleno, também, na parte em que estabelecemos direitos e deveres, com um claro desequilíbrio trazido pelas ações desequilibradas de uns que se acham acima da lei e da vivência em comunidade.
O Governo decidiu estender a proibição de circulação a partir das 19 horas, de segunda a sexta Para conter o vírus, para evitar contactos durante uma parte do dia, da noite mais propriamente. Para garantir segurança sanitária e para ver se conseguimos estancar este crescendo no número de casos. Segurança sanitária, por um lado, insegurança policial por outro. Não sei se há falta de polícia, não sei como estão aquelas câmaras todas que a Câmara ia instalar em locais estratégicos da cidade do Funchal, não sei qual a estratégia que a PSP definiu para estas partes do dia em que a cidade fica deserta. Não sei se é preciso polícia municipal, não sei se podemos exigir à PSP que dê o que não pode. Não sei se será preciso mais alguma reunião para voltar a despertar consciências, que pelo menos nos dias seguintes, fazem funcionar o que parecia lento e parado nos outros dias, faz lembrar os supermercados, que medem a febre e contam as pessoas quando Albuquerque "engrossa" a voz, depois disso é sempre a abrir, gente em cima de gente, e sigam as compras.
Já aconteceu da outra vez e é preciso darmos um sinal que aprendemos alguma coisa com a segurança da cidade, que nunca mais foi a mesma. Agora, em modo de meio confinamento, é importante não perder autoridade, é importante estarmos confinados e seguros, na saúde, mas também no resto. E todas as autoridades, em articulação com o poder político, devem pensar nas medidas em conjunto, prevenindo situações, agindo antes das ações, para que o modus operandi possa ser, como sempre, apenas de reação e de corrida atrás do prejuízo.
Não podemos estar tranquilos e confinadamente seguros com a insegurança desconfinada.



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